quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O GOLPE ARMADO PELOS EUA E UE É UM FRACASSO, QUEM PAGA O PATO É O POVO UCRANIANO


Milhares de pessoas se reuniram neste domingo na cidade de Sevastopol para repudiar o golpe de Estado liderado pela direita fascista ucraniana apoiado e financiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE).
Os participantes reuniram-se nesta tarde de domingo na praça central da cidade portuária do sul, localizado na península da Criméia, denunciando os fascistas assumiram os protestos em Kiev e nomeou como chefe de Estado Rada (parlamento) Alexandr Turchinov a mão da extrema-direita, direita de Yulia Timoshenko, claro aliado de os EUA ea UE.
Em um discurso à nação, Turchinov já anunciou que o país vai voltar ao "caminho da integração europeia", que envolvem um pacotaço medidas neoliberais ditadas pelo FMI.
A diretora do FMI, Christine Lagarde, disse nesse domingo que a sua agência e os EUA estão "dispostos a ajudar a Ucrânia, apos a queda do presidente Viktor Yanukovich.
Por sua parte, o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, disse que seu país "tem sido muito claro sobre a necessidade de a Ucrânia eo desejo de adotar as reformas necessárias para assegurar que o trabalho para estabilizar a economia."
NOTA DA BLOGUEIRA:
O imperialismo estadunidense tem como base democrática, meter o pé na porta dos países por onde tem ou passa petróleo, vem influenciando jovens de classe média do mundo inteiro nessa onda de protesto que começou com Occupy Wall Street para desestabilizar presidentes eleitos como fez com Viktor Yanukovich e está ameaçando Nicolás Maduro na Venezuela. 

Não esqueçamos que os EUA são os maiores consumidores de petróleo do mundo. 

Gostaria de ver os BRICs fazer embargo econômico aos EUA, que já está com a economia mal das pernas. 
Tem horas que penso: saudades da Guerra Fria. Naquela época, os EUA se metiam menos nos assuntos internos dos outros países, tentavam, mas, não conseguiam rivalizar com a CCCP, pois temia a represália. 

Espero que Medvedev e Putin reajam à altura a esse golpe que não tem apoio de toda a população. Resumindo, o que conseguiram com esse golpe foi deixar a Ucrância sem dinheiro, sem alimentos e sem saída. Duvido que Obama, o covarde, vai querer bater de frente com os russos.

E o pior de tudo é que tanto os EUA quanto a UE atiçaram fogo e quem saiu queimado foram os ucranianos. Putin e Medvedev, não deixem a Ucrânia virar uma nova Grécia ou Chipre!!!

É UE e EUA, vocês fizeram uma merda sem tamanho e esqueceram de combinaram com os russos, como dizemos aqui no Brasil!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O golpe na Ucrânia

por Miguel do Rosário - O cafezinho


Eu sempre gostei do blog Castorphoto, porque ele sempre oferece traduções de artigos incríveis sobre política internacional. O brilhante Pepe Escobar, que escreve em inglês para o Asian Times, está sempre por lá.

A única coisa que se podia criticar no Castorphoto era uma visão algo paranóica do imperialismo americano e suas mídias corporativas.
Bem, depois das revelações do Wikileaks, ou mesmo antes delas, com a constatação de que o Iraque foi invadido à tôa, pois não tinha armas de destruição em massa, depois de Snowden e a revelação do grau de sofisticação da espionagem da NSA, com programas capazes até de prever comportamentos, não mais espaço para ingenuidade.
Mais recentemente, as revoltas no mundo árabe foram completamente manipuladas pelo imperialismo americano e europeu. Usaram-se manifestações espontâneas e legítimas para derrubar governos incômodos. A quantidade de desinformação que rolou durante a primavera árabe é assustadora. Lembro-me das histórias terríveis que circulavam contra Kadafi, na Líbia. Até eu balancei. Só que, perto da situação atual, a Líbia de Kadafi era um paraíso. Hoje se tornou uma colônia de EUA e Europa.
A coisa fica ainda mais estranha, porém, quando vemos manifestações dita populares querendo derrubar governos eleitos, como se vê na Tailândia e Ucrânia. Isso é um perigo, que ocorre em países onde não há um sistema interno de comunicação maduro e onde há influência excessiva de alguns valores ocidentais – não necessariamente democráticos, mas imperialistas – na cabeça da juventude.
A presença da violência é um elemento chave para identificar o germe golpista. Manifestações genuinamente democráticas não costumam apelar à violência. Quando a violência aparece, desperta uma espiral que não tem fim, e faz abrir o olho do dragão: os mafiosos da indústria bélica internacional, sempre interessados em fomentar guerras civis mundo à fora para venderem mais armas.
Então, pessoal, olho vivo! Ainda mais porque todos os grupinhos de extrema-direita presentes no Brasil andam um bocado excitados com o que ocorre na Ucrânia, e são os mesmos que apoiam o movimento #naovaitercopa.
Segue mais um artigo atento do Moon of Alabama, traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.
*
EUA e União Europeia juntos para derrubar a democracia na Ucrânia
8/2/2014, no blog Moon of Alabama
“U.S. EU United To Overthrow Democracy In Ukraine”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu, no blog Castorphoto.
Victoria Nuland-Fuck-EU
Victoria Nuland pronunciando sua mais célebre frase…
O barulho em torno da declaração da secretária-assistente de Estado Nuland, dos EUA, para a qual “Foda-se a União Europeia”, está, de certo modo, ajudando a mascarar a questão real.
Um telefonema feito por linha não encriptada, entre Nuland e o embaixador dos EUA em Kiev foi, ao que parece, gravado pelos serviços de segurança da Ucrânia. Enquanto o Departamento de Estado tentava (como já é rotina nesses dias) culpar os russos, o tuíto de um funcionário russo lembrava que a gravação só apareceu mais de 24 horas depois de outra fonte ter distribuído, pelo Twitter, o link correspondente. O funcionário russo, portanto, não era a fonte original.
O telefonema gravado revela várias questões:
1. Os EUA estão, inegavelmente, tentando derrubar um governo democraticamente eleito e o presidente da Ucrânia; e querem pôr lá, no governo, um dos fantoches da “oposição”, como preposto dos norte-americanos. A própria Nuland diz (vídeo, em 7’26 a seguir) que os EUA, desde os anos 1990s, “investiram” mais de $5 bilhões para a tal “democratização” da Ucrânia. É altamente provável que os EUA, como o governo ucraniano tem dito, esteja pagando muitos dos “manifestantes” em Kiev.
2. Alguns países da União Europeia (Alemanha, Polônia e países do Báltico) também querem derrubar o governo da Ucrânia; esses (especialmente Merkel) também querem um fantoche, lá, como o boxeador Klitschko, no posto de manda-chuva. Mas os demais países da União Europeia não querem ter de pagar para comprar um novo governo para a Ucrânia, em troca de saquear país já muito pobre; esses países da União Europeia que também querem um golpe têm pouco a oferecer; e não têm meios para ameaçar a Ucrânia com sanções nem com qualquer outro tipo de chantagem.
O “Foda-se a União Europeia” é coisa, só de diferença de estilo. Os EUA querem, primeiro, impor sanções contra governo legal e contra o povo ucraniano, para, depois, instalar lá um fantoche dos EUA; e os países da União Europeia querem fantoche diferente; e querem golpe menos barulhento e escandaloso.
O barulhão no proscênio também está ajudando a esconder outra questão importante que se desenrola nas coxias. Os protestos na Ucrânia estão sendo liderados por movimentos e grupos de extrema direita, que não se deterão ante nenhum tipo de brutalidade e podem levar até à guerra civil:
Pravy Sector
Grupo ucraniano do Pravy Sector (Setor de Direita). Notem a semelhança do símbolo estampado nas bandeiras com a Cruz Nazista (Gamada)
“A organização física dos protestos, a construção de barricadas em torno das praças, grande parte do acampamento já construído e o policiamento, e as furiosas batalhas contra a polícia são, quase integralmente, ação da extrema direita. Em algumas cidades menores do interior da Ucrânia, os “protestos” locais e a tomada de prédios públicos parecem ser trabalho, exclusivamente, do Pravy Sektor.
Aqui em Kiev, alguns membros do exército de mascarados com capacetes dizem que apoiam o principal partido de direita dos nacionalistas ucranianos, o Partido Svoboda (Liberdade), que recebeu apenas 10% dos votos nas eleições parlamentares de 2012, e cujo líder Oleh Tyahnybok, é conhecido por insultar judeus.
Mas o pessoal que forma os grupos maiores e mais agressivos, que em geral recusam-se a falar com jornalistas, são membros do Pravy Sektor, grupo guarda-chuva no qual se reúnem fascistas, nacionalistas, torcidas organizadas de times de futebol e gangues de extremistas de direita – alguns com história de militância em grupos neonazistas –, considerado em geral como à direita do Partido Svoboda e que opera como gangue extremamente fechada, cheia de segredos. Até agora, o Pravy Sektor ainda não se apresentou como partido político.
Pravy Sector 2
Membros do “Pravy Sector” agridem adversários políticos com bastões de beisebol
Quer dizer, então, que os EUA e a União Europeia parecem acreditar que conseguirão manter sob controle essas forças? Ou as estão pagando? Mas… Exatamente como os terroristas na Síria, os fascistas na Ucrânia logo estarão mandando no jogo, tão logo a pressão pelos EUA e a União Europeia contra o governo legal dê àqueles grupos fascistas qualquer pequena chance de assaltar diretamente o poder. Eles já ameaçaram, até, com iniciar uma guerra civil.
Encurralando o presidente eleito da Ucrânia e empurrando-o na direção de renunciar, os EUA e a União Europeia estão visivelmente – por razões que só interessam a EUA e União Europeia – criando o perigo de lançar a Ucrânia numa guerra interna que EUA e União Europeia não conseguirão controlar.
O barulho que a imprensa-empresa está fazendo sobre o “Foda-se a União Europeia” está ajudando a encobrir esses outros aspectos desses planos enlouquecidos.
Moon_of_Alabama
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sábado, 1 de fevereiro de 2014

AS DIFERENÇAS ENTRE A INDIGNAÇÃO DO STF E A NOSSA!!! NOSSA VAQUINHA É LEGAL E MORAL

"Quando a política entra no recinto dos tribunais, a justiça sai por alguma porta." François Guizot

A MENTIRA

A "vaquinha eletrônica" organizada pelos condenados do mensalão para quitar as multas impostas pelo Supremo Tribunal Federal foi considerada uma "manobra legal" por dois ministros da Corte e integrantes da Procuradoria-Geral da República, Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) e Banco Central.

A VERDADE

A vaquinha não foi organizadas pelos companheiros, presos políticos e sim pela militância. Não foi uma "manobra legal". Foram atitudes espontâneas da militância que não concorda com as multas cobradas e resolveu fazer doação. 
Esses burocratas não entendem de militância do dia-a-dia e muito menos da militância virtual e fica divagando sobre o que ocorreu de fato.

A MENTIRA


Segundo as autoridades, as campanhas de arrecadação pela internet em favor do ex-deputado federal José Genoino (PT) e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, apesar de "driblarem" a punição que deveria recair sobre os réus, não podem ser coibidas nem o sigilo dos doadores quebrado oficialmente sem que haja indícios de lavagem de dinheiro ou depósito atípico.
A fim de pagar as multas fixadas pelo STF nas condenações, foram realizadas campanhas na internet. Genoino arrecadou mais de R$ 700 mil e Delúbio, R$ 1 milhão. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, apesar de causarem um certo choque, iniciativas como essas não são proibidas pela lei.
Receita. As doações terão de ser informadas à Receita Federal nas respectivas declarações de Imposto de Renda. Se as autoridades fiscais desconfiarem de irregularidades, poderão iniciar uma investigação. Além disso, eventuais indícios de ilícitos poderão ser apurados por integrantes do Ministério Público que atuam nas cidades onde as contas bancárias foram abertas.
A VERDADE
Ninguém driblou punição que deveria recair sobre os réus. Se essas autoridades burocratas não viram nas redes sociais ou fingiram que não viram. Desde o começo do julgamento várias pessoas, petistas, socialistas e pessoas que não tem filiação partidária, nem mesmo formação política, se postaram como réus da AP470. Milhares de pessoas trocaram suas fotos para uma foto montagem com uma capa da revista Veja que trazia a foto de José Dirceu escrita em letras garrafais "RÉU", e colocaram as suas. 
Então na verdade as doações não driblam punição eis que todos estão se sentindo julgados, condenados e punidos pelos erros do STF.
Ninguém que doou vai se furtar de declarar as informações à Receita Federal, eis que estão cientes que doaram sem cometer quaisquer irregularidades. 
Essas autoridades e essa mídia tem integrantes que parecem ter um intelecto limitado ou estão perseguindo as pessoas, não só os condenados de má-fé. Querer procurar indícios de irregularidades numa solidariedade sem precedentes no mundo é a prova disso.
Que investiguem, começando por mim que uso meu nome verdadeiro nesse blog, eu doei o que podia, uma pequena quantia de 500 reais para Delubio Soares, mais 300 reais que pessoas me deram em pequenas quantias de 2, 5, 12, e 20 reais, são pessoas simples do povo que não podiam sair de seus trabalhos para fazer o depósito. Então ninguém tem nada a esconder. Quanto ao Genoino, não doei porque não tinha recebido minha aposentadoria.
Se forem investigar, verão que são pessoas comuns como eu que não aceitam essa farsa de julgamento, muito menos que sejamos tachados de bandidos, porque somos solidários com os presos políticos do Brasil em plena democracia, por crimes que não cometeram.
A INDIGNAÇÃO DO STF
A ideia de arrecadar dinheiro para pagar as multas causou indignação no STF. Um integrante da Corte observou que, assim como a prisão, a multa é uma pena. Como uma pessoa não pode cumprir dias de prisão no lugar de um condenado, o mesmo raciocínio deveria servir para impedir que a multa fosse financiada por aliados do réu.
O assunto deverá ser tema de conversa entre os ministros do STF – eles voltam do recesso na próxima semana.
A NOSSA INDIGNAÇÃO
A nossa indignação começou em 2005 e continua até a presente data. Somos todos presos políticos, temos falado isso sem cessar. Quer dizer, a Corte pode julgar sem provas, omitir provas como a pasta 2474, que era mantida em segredo por Joaquim Barbosa. Envolve provas, fatos e indícios que não foram incorporados aos autos da ação penal. E nós que repudiamos veementemente esse julgamento temos que ficar de braços cruzados aceitando qualquer ato ditatorial que venha da Suprema Corte.
Não é assim que está funcionando, a revolta e indignação é tão grande que desconhece fronteiras, raça, credo religioso, orientação sexual e preferência política.
Os senhores Ministros não deveriam estar indignados, deveriam é cumprir a lei. 
Vamos lá aos descumprimentos da lei pelo STF:
Vários réus não tinham foro privilegiado e assim mesmo não tiveram acesso ao duplo grau de jurisdição. Isso é usar dois pesos e duas medidas, pois há vários processos em que foram desmembrados por conta do foro privilegiado. Que belo exemplo de como descumprir partindo da mais alta corte do país. Isso é garantia constitucional que foi ignorada, revogada somente para julgar esses réus!!!
In Dubio Pro Reo: um dos princípios do direito penal é que na dúvida o réu seja absolvido. Na denúncia aceita pelo STF, é só compulsar os autos está claramente em seu final a seguinte postulação: Que o réu José Dirceu de Oliveira e Silva seja condenado para que sirva de exemplo à nação. E quando da sustentação oral do PGR ele mesmo disse não haver provas, mas que se condenasse mesmo assim. O pior de tudo foi da Min. Rosa Weber que teve a pachorra de dizer no julgamento para quem assistiu às sessões que "Não tenho provas para condenar José Dirceu, mas o faço porque a literatura me permite.
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O julgamento não foi uma coisa comum, além da TV Justiça transmitir, foi passado em tempo real no Youtube e também na GloboNews. Porque na Globo?
Pode não ser ilícito que o Presidente do Supremo tenha um filho trabalhando na Globo, que eles dois assistam jogo da Copa das Confederações no camarote de um apresentador da mesma emissora com quem seu filho trabalha, mas, é imoral.
Comprar um apartamento dentro das leis estadunidenses podem ser até legais lá, mas, como vou colocar as fotos dos documentos da empresa, do valor do imóvel e o endereço da sede da firma o apartamento funcional do STF, é prá lá de imoral.
Uma corte que coloca em liberdade Roger Abdelmassih  que foi condenado a 268 anos de prisão por estupro de 56 mulheres, para que ele fugisse, é legal? Imoral eu sei que é.
Isso sem falar no Salvatore Cacciola que com seu banco, lesou milhares de clientes e recebeu as benesses dessa mesma corte? Isso é legal? Imoral todo mundo sabe que é!
Viajar de férias, recebendo diárias, com a desculpa de dar palestras sobre nossas instituições é legal? Pelo que eu saiba, palestrantes do quilate do Presidente do Supremo, como ele mesmo afirma, que tem capacidade intelectual para isso, normalmente são pagas pelas instituições que o convidam. Isso é legal? Pode até ser, mais é imoral!!!
O que esperar de uma Suprema Corte que desde sempre perseguiu pessoas, como o fez com Olga Benario, entregue aos nazistas por ordem da Casa. Foi morrer no campo de concentração com os cumprimentos da casa.
Indignados estamos nós, que assistimos ao linchamento moral, à cassação injusta, ao julgamento, à condenação, à prisão escandalosa que mais pareceu um filme hollywoodiano, gastando o dinheiro público do contribuinte apenas para dar Ibope num feriado da República. A prisão pretendeu ser um marco, mas, na verdade, foi um tiro no próprio pé, pois todos sabem que juiz algum trabalha num feriado nacional para prisão de condenado a menos que tenha interesses que nós ainda não sabemos quais são!
Nem adianta o STF querer me processar por minha indignação escrita, pois não estou dizendo uma vírgula que não seja verdade! 
Senhor ministro, acima do STF tem sim outra coisa que o senhor desconhece: solidariedade!
A justiça às vezes se faz de cega!!!

Documentos da empresa e compra do apartamento em Miami, colhido do site O Cafezinho de Miguel do Rosário.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

ANIVALDO PADILHA: SEMPRE NA LUTA PELA VERDADE!


Passei a noite insone pensando no meu querido amigo Anivaldo Padilha.
Enquanto a mídia faz essa campanha sórdida e mentirosa para atingi-lo da forma mais cínica e cruel, atentando contra sua moral ilibada, ele está la em numa cidade do interior de um estado, que nem vou dizer qual para eles não darem plantão ai, em sua luta incansável para que a verdade seja reestabelecida e que a verdade sobre o que ocorreu nos porões da ditadura sejam esclarecidas.
Todos nós fomos tomados de surpresa, eis que jamais cometeu os atos apontados por esse folhetim infame, que é mestre em destruir reputações.
A vida de Anivaldo sempre foi pautada na luta contra todo o tipo de opressão.
Sua história de vida é um exemplo para todos aqueles que estão lutando por um mundo melhor.
Minha indignação não tem tamanho.
A guerra suja daqueles que querem macular a imagem de um homem que é referência mundial na luta pelos direitos humanos só tem uma intenção: mostrar o desespero, porque sabem que Alexandre Padilha será o Governador de São Paulo e isso essa elite inescrupulosa aliada desde que o Brasil foi invadido nos momentos mais sangrentos de nossas história.
Tudo isso é fruto do trabalho de seu filho Alexandre, que por sua ideologia de médico humanista, para levar saúde a todos os excluídos de nosso país, mexeu com a classe mais privilegiada do país, a dos médicos! Fez com que milhares de brasileiros tivessem acesso às políticas públicas de saúde e mais, mostrou ao Brasil que não tem medo de enfrentar os poderosos do país!!!!
Seu filho, querido Anivaldo é fruto de duas pessoas que sempre estiveram ao lado dos mais pobres.
Não só o Alexandre é fruto de uma criação ideológica. Não vou citar o nome do nosso querido artista, para ele também ser poupado dessa campanha difamatória.
Seu trabalho é reverenciado no mundo todo, só aqui no brasil é que essa imprensa ordinária não reconhece.
Você é referência por onde andas, seja nos lugares mais remotos do Brasil ou em países onde essa imprensa tosca jamais terá seu trabalho reconhecido.
Nada, nem ninguém tira sua história de vida!
Para quem não conhece Anivaldo, vou reproduzir esse texto que é um testemunho de sua vida

ATO PÚBLICO DE REPATRIAÇÃO DOS DOCUMENTOS DO PROJETO BRASIL: NUNCA MAIS

REFLEXÕES SOBRE MEDIDAS DE VERDADE: DO BRASIL NUNCA MAIS A UMA COMISSÃO DA VERDADE.


Depoimento de Anivaldo Padilha


Dedico este depoimento à memória de Paulo Wright e Ivan Mota Dias (prebiterianos) e de Heleni Guariba (metodista), mortos sob torturas e desaparecidos; à memória de Celso e Fernando Cardoso da Silva, jovens metodistas presos comigo, e que já não se encontram mais entre nós; à memória de Richard Shaull, missionário americano presbiteriano, um dos que plantaram as sementes da Teologia da Libertação; e à memória de Brady Tyson, missionário americano metodista que nos viabilizou os laços com Martin Luther King, Jr.


Minhas primeiras palavras são de agradecimento pela honra que o a Procuradoria da República e Conselho Mundial de Igrejas me concederam ao me convidar para fazer este depoimento. Sinto-me honrado porque minha história, nos últimos 50 anos, está intimamente ligada ao CMI e ao movimento ecumênico. E o projeto “Brasil: Nunca Mais”, é um dos capítulos mais importantes da história da contribuição do movimento ecumênico brasileiro e internacional à luta pelos Direitos Humanos no Brasil.

O projeto “Brasil: Nunca Mais” só pode ser desenvolvido porque contou com um movimento ecumênico que se desenvolveu em nosso país a partir da primeira metade da década de 1950 quando, no seio do protestantismo, a Confederação Evangélica do Brasil, inspirada pelo CMI, criou o Setor de Responsabilidade Social, responsável por desenvolver uma série de reflexões sobre o papel da Igreja no Brasil, em um contexto de rápidas transformações sociais e políticas. Desse processo surge o Movimento Latino-Americano de Igreja e Sociedade (ISAL), que teve papel fundamental na organização do pensamento social ecumênico na América Latina.

Concomitantemente, a partir do início da década de 1960 a Igreja Católica Romana também sentia os efeitos renovadores trazidos pelo Papa João XXXIII, e pela primeira vez se abria para o ecumenismo.

Esses novos ares tiveram grande impacto nas igrejas, especialmente entre a juventude e intelectuais, estudantes, e pastores e padres jovens, levando-nos a construir processos de diálogo e de cooperação nas lutas pelas transformações sócio econômicas em nosso continente. É nesse processo que germinam as sementes do que veio a ser conhecida como Teologia da Libertação, tanto em suas vertentes protestante quanto católica.

Esse processo é interrompido temporariamente pelo golpe militar de 1964 que leva à prisão, à clandestinidade ou ao exílio grande parte das nossas lideranças e ao desmantelamento das nossas organizações, inclusive da Confederação Evangélica do Brasil.

O período pós-golpe significou re-aglutinar as pessoas, criar novas formas de organização e redefinir nosso papel. Com os novos ventos que sopraram da Conferência Episcopal Latino-Americana, em Medellín, em 1968, o movimento ecumênico ganha novo ímpeto e possibilita uma ação ecumênica mais efetiva com a adesão de grandes contingentes católicos. É importante destacar o papel do Centro Evangélico de Informação, fundado em 1965 (transformado em Centro Ecumênico de Documentação e Informação em 1975 e, a partir de 2004, em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço).

A partir do AI-5, quando a tortura é institucionalizada como método sistemático de interrogatório e instrumento de terror político do Estado, coube ao movimento ecumênico alimentar as redes ecumênicas internacionais com informações sobre o que se passava nos porões da ditadura e denunciar as torturas internacionalmente. Outra contribuição foi a criação de redes ecumênicas de apoio para proteger perseguidos políticos rumo ao exílio.

Foi como participante ativo desse movimento que fui preso na manhã do dia 28 de fevereiro de 1970, por agentes da OBAN, em São Paulo, principal centro de torturas do pais. Comigo foi presa também Eliana Rolemberg, que me assessorava em uma pesquisa que eu coordenava para a ULAJE sobre Juventude e Mudança Social na América Latina. Na época, eu exercia as funções de Secretario, para o Brasil, da ULAJE e de redator de uma revista mensal “Cruz de Malta”, da Igreja Metodista.

Ao chegarmos à OBAN, depois que Eliana e eu fomos separados, fui conduzido a uma sala para ser interrogado. Assim que a porta se fechou, recebi um soco no estômago, com tal violência, que caí e fiquei alguns segundos sem poder respirar. Começaram, então, a aplicar em mim o “telefone”, método de tortura que consiste em golpear os ouvidos da vítima com as duas mãos ao mesmo tempo, em formato côncavo. Os golpes foram repetidos várias vezes, seguidos de gritos para que eu confessasse ser membro de uma organização clandestina e que revelasse os nomes e endereços de todos os meus amigos. Após esse interrogatório fui levado a uma das celas.

Na parte da tarde, fui levado novamente para interrogatório. A partir desse momento, as torturas se intensificaram. Trouxeram Eliana, Celso e Fernando Cardoso da Silva, dois jovens metodistas como eu, que tinham sido presos também, e nos aplicaram golpes de “palmatória”, novamente o “telefone” e choques elétricos.

Depois de muito tempo de torturas, nos separaram e fui levado de volta à cela, já ao escurecer. Eu não havia ingerido nenhum alimento desde o café da manhã. Minha boca estava extremamente seca. Tinha a impressão de que minha língua ia rachar ou que minhas mucosas estavam se esfacelando. Pedi água e o carcereiro me respondeu: “não tenho autorização para dar água a presos que voltam do interrogatório. Beber água logo depois de levar choques pode matar”. Trouxeram a janta: sobras da comida do quartel trazidas em grandes caldeirões. Tive dificuldade para comer. Além da boca seca, minhas mãos estavam inchadas e eu mal conseguia segurar a colher. Ademais, eu tinha grande dificuldade para deglutir a comida composta de arroz, feijão e tomate picado Meu companheiro de cela insistiu para que eu comesse porque aquela era a única refeição diária. Às vezes, serviam o café da manhã, que consistia em uma pequena caneca de café com leite e um pãozinho. Conheci, naquele instante, uma outra forma de tortura: a fome. Não consegui dormir.

Tarde da noite, vieram me buscar novamente. Achavam que eu devia ser um comunista importante porque tinha relações internacionais, especialmente com o mundo ecumênico. E, segundo eles, esse era um movimento subversivo. Forçaram-me a tirar minha roupa e me colocaram na “cadeira do dragão”. Uma cadeira revestida com folhas de metal conectadas por um fio a um rádio militar de campanha. Fui colocado nu no assento com minhas mãos e pés amarrados. Exigiram que eu desse todas as informações que eu possuía. A cada negativa, o torturador girava a manivela do telefone para aumentar a intensidade dos choques. Para tornar os efeitos mais fortes, colocaram uma toalha úmida sob minhas nádegas. Os choques me provocavam convulsões e gritos. A sensação era de perda total de controle sobre minha capacidade mental, racional, e sobre os meus movimentos. Era insuportável!

Até aquele momento, eu não tinha informação sobre o que acontecia com Eliana ou com Celso e Fernando. De repente, percebi que Eliana estava também estava sendo torturada na sala ao lado. Podia ouvir seus gritos e suas recusas em cooperar com os torturadores.

De madrugada me levaram de volta à cela. O medo tomava conta de mim. Eu tinha medo de não conseguir resistir e acabar por revelar nomes e endereços de meus amigos e companheiros.

Pela primeira vez na minha vida me via confrontado pela possibilidade real e iminente de morrer. Como evitar esse desfecho? Ou como encará-lo com dignidade? Então, decidi que, já que morrer parecia inevitável, era melhor que isso acontecesse antes que novas torturas ocorressem. O suicídio parecia ser o único caminho. E, se cooperar era o preço para salvar minha vida, eu não conseguiria conviver com o profundo sentimento de culpa que certamente me acompanharia para sempre. Seria uma vida sem Vida! Procurei e não encontrei nada que eu pudesse usar para me suicidar e percebi que nem a opção do suicídio me era disponível. Eu estava só e à mercê dos torturadores!

Iniciei, então, um processo de revisão da minha vida. Lembrei-me, sobretudo, do meu desenvolvimento pessoal, na Igreja Metodista, baseado em uma espiritualidade encarnada no mundo e nas dores do meu próximo. E que foi essa espiritualidade que me levou a dedicar-me à solidariedade com os oprimidos e discriminados e à construção de um mundo mais justo, solidário e verdadeiramente democrático.

Tomei consciência, nesse momento, de que a minha vida não mais me pertencia pois eu a havia dedicado inteiramente às exigências da minha Fé. Matar-me seria como se eu estivesse a exigir a devolução de algo que eu havia doado. Minha vida pertencia a Deus. Tudo isso me fez encontrar as forças necessárias para resistir.

Eu era fisicamente muito fraco em relação aos torturadores e me perguntava: “por que usam tanta violência para me dominar”? Essa pergunta não saía da minha mente até que tudo começou a clarear. Eu tinha algo mais forte dentro de mim: o amor à Verdade, à Justiça, à Ética, e o compromisso com o povo, além do apoio de uma imensa comunidade que não se calava diante da tirania nem se deixava dominar pelas forças que haviam usurpado o poder em nosso país. Os torturadores eram fisicamente fortes, mas moralmente eu era mais forte e tinha condições de resistir.

Se eu tivesse que morrer, não não podia ser por ato voluntário. Que a ditadura assumisse a responsabilidade pela minha morte.

Entrei em um processo lento de tranqüilidade e de serenidade. Senti que eu estava me preparando para o que me parecia inevitável. O medo, ainda que presente de forma muito forte, não mais me dominava. Eu tinha me reencontrado com minha história e comigo mesmo. Já amanhecia e, finalmente, consegui dormir.

Mais tarde, ao ser levado para mais uma sessão de torturas, percebi que estava sofrendo de uma espécie de amnésia pois não conseguia me lembrar de praticamente nenhum dos meus companheiros. Os únicos nomes presentes na minha memória eram os de meus familiares imediatos. Minha memória havia se apagado seletivamente. Por isso, apesar da intensidade das torturas, eu não tinha como colaborar. Foi um fenômeno para o qual jamais encontrei explicação racional e conclusiva. Creio que o ser humano, quando se encontra em uma situação-limite, como eu me encontrava ali, é levado a buscar em suas profundezas aquela força divina que todos possuímos dentro de nós. E essa força não é monopóplio de cristãos ou de pessoas religiosas. Pude presenciar situações semelhantes de resistência por parte de companheiros ateus. Para mim, foi resultado da força daquela fé, qualquer fé, que há dentro de todos nós.

Os interrogatórios diários, acompanhados de torturas físicas (choques, cadeira do dragão, socos, palmatória) e morais (simulação de execução, saída de carro com ameaças de jogarem meu corpo na Serra do Mar, insultos, ser qualificado com palavras de baixíssimo calão, ameaças de torturarem meus pais etc) continuaram por muitos dias e depois diminuíram, até que, finalmente, fomos enviados ao DOPS para as formalidades policiais. Foram vinte dias diretos de “interrogatórios” na OBAN. No DOPS – depois de de enviados de volta a OBAN por duas vezes, Celso, Fernando e eu fomos indiciados na Lei de Segurança Nacional e enviados ao antigo Presídio Tiradentes. A acusação formal: “infiltração subversiva na Igreja Metodista”!!!. O próprio promotor não aceitou as bases para o nosso indiciamento e fomos colocados em liberdade.

Ao sair da prisão, sem condições de trabalhar e sob risco de nova prisão, tive que me exilar. Com o apoio do CMI e das redes ecumênicas de apoio, consegui chegar clandestinamente ao Uruguai, depois à Argentina e ao Chile. Após alguns meses, fui para os Estados Unidos com o apoio das igrejas protestantes daquele pais onde consegui reconstruir minha vida e continuar, no exterior, a luta contra a ditadura. Posteriormente, transferi-me para a Suíça. No total, passei 13 anos no exílio.

Por mais de seis anos tive pesadelos nos quais eu revivia as sessões de tortura. Os torturadores continuavam dentro de mim a me torturar. Eu tinha que vence-los. A luta foi longa até que percebi que compreendi que o caminho a seguir era o do perdão. Ao perdoa-los, consegui vencê-los. O perdão significou para mim um processo terapêutico. Há momentos que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado, mas isso no nível das relações inter-pessoais. Isso não significa compactuar com a impunidade. Os crimes cometidos não foram apenas contra mim. Foram contra a sociedade brasileira e a sociedade tem o direito de investiga-los e punir os responsáveis diretos e indiretos.

Termino com um apelo. Suponho que todos neste auditório sabem que a tortura era uma política de Estado. Por isso, é essencial o estabelecimento de uma comissão da verdade para investigar os crimes da ditadura, apontar quem são os torturadores, seus mandantes, seus colaboradores e apoiadores. A punição deles é importante para resgatar a dignidade dos que foram torturados, a dignidade da memória dos assassinados e desaparecidos e a dignidade das famílias que não puderam ainda sepultar seus entes queridos. Além disso, a impunidade contribui para que a tortura ainda seja praticada em larga escala nas delegacias e prisões brasileiras e para que outras formas de intolerância se fortaleçam em nosso país. Os que se opõem à abertura dos arquivos da ditadura e à divulgação da verdade e a punição dos que estabeleceram o Terror do Estado nos chamam de revanchistas. Revanche ou vingança seria tratá-los como nos trataram. Não, não queremos vingança, mas Justiça. Que sejam investigados, processados, garantindo a eles o devido processo e julgados pelas cortes do Estado de Direito e não por tribunais de exceção como fizeram conosco.

Em suma, a punição representaria o resgate da dignidade da sociedade brasileira que foi violentada por um regime autoritário.

Termino citando o profeta Jeremias: “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lam. 3.21) Minha esperança é que a memória desse passado contribua para que esse Brasil, nunca mais!

Muito obrigado


Anivaldo Padilha

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EUA: Feche Guantánamo ! Por Erika Guevara Rosas

Centro de detenção militar da Baía de Guantánamo, em Cuba.
Por Erika Guevara Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional
Um dos primeiros atos oficiais do presidente Barack Obama, em janeiro de 2009, foi assinar uma ordem executiva para fechar dentro de um ano o centro de detenção militar os EUA na Baía de Guantánamo, Cuba.
Após oito anos de detenções em Guantánamo, isto significava uma promessa de mudança. Mas a ordem não reconhecia as obrigações dos EUA quanto aos direitos humanos. A administração de Obama adotou a discutível “lei de Guerra”, e com isso não terminaram as indefinidas detenções.  
O dia 22 de janeiro de 2014 vai marcar cinco anos desde o decreto do Presidente Obama. Nesse meio tempo, a colônia penal continua a operar em um vácuo de direitos humanos.
As detenções em Guantánamo continuam a ser uma afronta aos princípios internacionais de direitos humanos e minam a credibilidade dos EUA. Enquanto o campo de prisioneiros entra em seu 13º ano, o mundo deve pedir prestação de contas aos EUA por deixar de cumprir os padrões internacionais de direitos humanos que tantas vezes exige dos outros.
Doze anos depois que os primeiros detentos foram levados para Guantánamo, amarrados como carga em um avião, mais de 150 continuam presos lá. Em sua maioria ainda não foram acusados ou julgados.
Entre os que ainda estão detidos em Guantánamo estão pessoas que deveriam ser julgadas por ligações com os ataques de 11 de setembro de 2001 ou outras violações graves dos direitos humanos. Respeitar o direito à Justiça das vítimas significa ter, há muitos anos, acusado e julgado essas pessoas em tribunais civis comuns.
Apesar de a Suprema Corte dos EUA ter decidido, há cinco anos e meio, que os presos de Guantánamo tinham o direito constitucional a uma audiência ‘sem demora’ para contestar a legalidade de suas detenções, alguns presos ainda não obtiveram habeas corpus
Na distorcida lógica jurídica de Guantánamo, até mesmo uma decisão judicial de que a detenção de uma pessoa é ilegal pode não significar sua libertação imediata. A transferência no último mês de três homens chineses de etnia uigur para a Eslováquia aconteceu mais de cinco anos depois de um juiz federal dos EUA ter deliberado que a sua detenção era ilegal. Se os EUA fizessem o que pedem aos outros países, trazer para os EUA presos libertados que não podem ser repatriados, os uigures poderiam ter sido soltos logo após a decisão judicial de seu caso.
Mais de 70 outros, a maioria iemenitas, receberam “aprovação para transferência”, mas, aos olhos dos EUA, a situação de segurança em seus países de origem e outras questões, adiaram a sua libertação. 
Alguns detentos aguardam julgamento sob um sistema de Comissão militar que não cumpre as normas internacionais de julgamento justo.
Seis deles correm risco no momento de ser condenados à morte. Dos quase 800 presos que ficaram detidos lá, apenas sete, menos de 1%, foram condenados por uma comissão militar. Cinco dos quais se declararam culpados no âmbito de acordos de pré-julgamento que prometiam uma possível saída da base.
Enquanto isso, a falta de uma prestação de contas, da verdade e de uma reparação pelas violações de direitos humanos cometidos contra os prisioneiros de Guantánamo, atuais e passadas, é uma dolorosa injustiça que deixa os EUA em violação grave das suas obrigações internacionais de direitos humanos.
Prisioneiros de Guantánamo foram torturados e submetidos a maus-tratos - seja em Guantánamo ou em outro lugar sob custódia dos EUA antes de chegar lá, inclusive "afogamento simulado ", mantidos em isolamento prolongado, e, mais recentemente, submetidos a procedimentos cruéis de alimentação forçada em represália a uma greve de fome em massa em protesto contra a sua detenção.
Nove detentos morreram sob custódia na base - dois de causas naturais e sete suicídios.
Se qualquer outro país fosse responsável por esse vácuo de direitos humanos, certamente atrairia a condenação dos EUA. Mas os EUA permitiram que continuassem as detenções em Guantánamo e a lacuna de responsabilização até mesmo enquanto alardeavam o seu compromisso com os direitos humanos.
Essa duplicidade não passou despercebida. Outros governos, especialistas da ONU e organizações não governamentais estão entre os que pediram o fim das detenções em Guantánamo.
Até mesmo o primeiro comandante das detenções na base, o agora aposentado Major General Michael Lehnert, disse recentemente que o centro de detenção de Guantánamo "não deveria ter sido criado". Em sua opinião, a detenção e as torturas lá tinham "dilapidado a boa vontade do mundo" depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA.
Fechar Guantánamo deve significar acabar com as violações que vieram a representar – simplesmente realocar é inaceitável. O mundo deve pressionar os EUA para acabar com sua errônea perspectiva jurídica de "guerra global".
O Congresso e a administração de Obama devem empenhar-se em uma estratégia de luta contra o terrorismo totalmente em conformidade com a legislação e as normas internacionais.
Não se pode colocar uma pedra em cima da questão de Guantánamo sem a plena responsabilização pelas violações de direitos humanos, incluindo crimes sob as leis internacionais, que foram cometidos na base e em outras partes nesta "guerra global ao terror" dos EUA.
Fechar o centro de detenção não vai gerar responsabilidade da noite para o dia. Mas isso continua a ser um importante - e necessário - passo na direção certa.

TRINCHEIRA DA RESISTÊNCIA E LUTA: ENTREVISTA COM PEDRO HENRICHS

Entrevista com Pedro Henrichs da Trincheira da Resistência.

Blog Maria Frô: Quem teve a ideia do Acampamento?
Pedro Paulo: No dia da chegada dos companheiros à Brasília (no feriado de 15 de novembro), após aquela performance midiática com jatinhos, esperávamos os companheiros na porta da PF e falamos que deveríamos sair dali e ir para frente da Papuda. Quando voltei para casa, tomei um banho e postei na minha página do Facebook que estava indo e que quem quisesse me acompanhar poderia ir que eu estaria esperando, foi aí que o João Paulo apareceu. Como ele estuda Direito, passamos a noite conversando sobre os erros da AP470. Mas quando iniciamos a vigília lá em frente à Papuda nunca imaginamos que se tornaria um movimento com tamanha adesão. Éramos apenas eu e o João Paulo naquele sábado, tomando um chimarrão. No domingo à tarde já começaram a chegar novos companheiros e aquilo foi se tornando um espaço de solidariedade e apoio, foi de fato se tornando um movimento. Não foi uma ideia premeditada, foi algo que foi acontecendo, as pessoas foram chegando e participando.
BMF: Quem organiza? Há um comando?
PP: Hoje mais de 2 meses que estamos acampados e manter um espaço como aquele por tanto tempo requer no mínimo organização. Não há um centro de comando, aonde alguém dá a ordem e os outros cumprem sem questionar. Há um espaço de deliberação coletiva e os que vivem a vida do acampamento opinam sobre seu dia a dia. Mas temos algumas referências, por exemplo, tem uns três que se encarregam de fazer a comunicação sobre o que acontece lá (o que nos ajuda muito quando somos atacados e temos a vida ameaçada), tem duas pessoas responsáveis por receber as doações e fazer as compras, mais duas que ficam responsáveis pela logística interna e em uma reunião que fizemos ontem à noite fiquei responsável por fazer o diálogo para fora do acampamento. Todas as pessoas que vão lá tem direito a dar opinião e sugestão e colocamos em discussão a viabilidade daquela proposta, como o farinhaço na Câmara, o baldaço no STF, uma roda de samba ou uma de formação política.
BMF: Quando o acampamento começou?
PP: Como respondi no primeiro item, ele começou sem ser pensado em um acampamento, pelo menos não na proporção que tomou (já tivemos momentos com 30 acampados lá). Penso que ele começou assim que foi decretada a prisão dos companheiros, que eu e todos e todas que aderiram a ideia, fizemos isso para mostrar solidariedade, porque por mais que os caras não nos vejam, não nos conheçam ou saibam quem somos, sabem que tem gente lá fora que abdicou da sua vida para prestar solidariedade diante das arbitrariedades da AP 470, que estamos ali em reconhecimento e gratidão por tudo o que esses caras fizeram pelo país, pela democracia brasileira e pelo Partido.
BMF: Se é um acampamento de solidariedade aos presos por que mudaram da Papuda para o STF?
PP: O acampamento tem uma função de existir. Nossa proposta em ficar em frente à Papuda era até que o Genoíno pudesse receber os cuidados médicos. Ali, apesar da hostilidade de alguns funcionários que passavam xingando, tínhamos a visibilidade que a imprensa proporciona e era extremamente mais seguro (aquele jovem de Águas Claras, cidade satélite de alto poder aquisitivo aqui, não teria tido coragem de ir lá com um canivete cortar nossas bandeiras se estivéssemos na Papuda, porque não teria rotas de fuga e a imprensa ficava à espreita na porta da Penitenciária, vigiando quem entrava e saía e incitando os familiares dos presos). É importante ressaltar que nunca recebemos hostilidade dos familiares dos presos, ao contrário, eles iam lá perguntar o que estávamos fazendo e conversavam sobre as condições dos seus familiares. Muitos diziam que talvez agora as pessoas iam olhar para a situação das pessoas dentro das cadeias, que nas condições que viviam era muito difícil se reabilitarem para viver em sociedade. Quando o Genoíno foi internado e logo depois recebeu autorização para ficar em regime domiciliar, sabíamos que era o momento de ir para outro lugar. Fomos para o quintal do STF para que todos e todas que passam pela Esplanada possam saber que tem gente que discorda dessa AP 470 e pede um novo julgamento e para os juízes responsáveis pelo Tribunal também terem ciência que apesar deles não serem escolhidos pelo povo, tem gente de olho no trabalho deles, exercendo o controle social, e estamos lá para apontar todas as falhas no processo.
BMF: Quantos são? O acampamento aumentou diminuiu?
PP: Nosso número é relativo, depende muito. Tem fins de semana que vem delegações de outros Estados, então ficamos lotados. Tem muitos que trabalham durante o dia e vão para lá à noite, fazer vigília. Mas nosso contingente sempre aumenta. Por questões de segurança prefiro não quantificar em quanto somos, até porque já recebemos muitos ataques e ameaças às nossas vidas.
BMF: Quem são vocês? O que mobiliza cada um de vocês a fazer isso?
PP: Na maior parte somos militantes de esquerda e dos movimentos sociais e o que nos motiva é desmontar essa farsa midiática que o STF criou junto da imprensa. Não posso responder por cada um, mas acredito que de modo geral o que motiva aquelas pessoas a estarem ali é não apenas mostrar solidariedade aos companheiros por tudo o que eles fizeram pelo país e pela nossa democracia, mas apontar também os erros que a nossa mais alta corte comete, inclusive com o criador da teoria do domínio de fato criticando o modo como sua teoria foi usada nesse processo e tantos outros grandes juristas que apontam as inúmeras falhas. Temos o entendimento que queriam condenar o Partido dos Trabalhadores e não podemos aceitar esse golpe.
BMF: Todos os acampados são de BSB? Vocês trabalham? Como mantêm um acampamento 24 horas por dia?
PP: Os que cuidam do acampamento são de Brasília, mas recebemos muitos companheiros de fora (como o Beto Mafra, militante petista de Belo Horizonte) o tempo todo. Os que trabalham cumprem sua jornada em seus respectivos empregos e voltam após o expediente. Os que não trabalham se revezam em cuidar do acampamento. Tem gente que vai lá pela manhã, tem gente que vai na hora do almoço e tem gente que só dá uma passada à noite. Mantemos o acampamento pela organização que criamos, aonde as pessoas vão chegando e colaborando sem precisar serem demandadas.
BMF: Quais são os custos? Há banners, as pessoas precisam de alimentação, precisam sobreviver dentro e fora do acampamento. De onde vem os recursos? De onde vem os recursos para cartazes como estes? Os familiares dos presos contribuem? O PT contribui?
Foto do cartaz extraído do Facebook
PP: Como não poderia falar em um movimento de solidariedade, sobrevivemos de solidariedade. Acredito inclusive que é a principal característica da esquerda, a solidariedade. Os custos são principalmente referentes à alimentação de quem está lá e água, os valores são depositados em uma poupança e fazemos um balancete para prestar contas. Recebemos doação do país inteiro, de dinheiro a presunto defumado. E também pedimos para as pessoas que temos relação, como no caso do banner, que foi uma doação. No geral, gerador, ônibus, tenda, barraca, fogão, jaca, panela, tudo doação ou empréstimo. Mas o nosso principal financiador foram as camisas que mandamos rodar e vendemos principalmente no Congresso do PT. Tivemos um custo de R$10 e vendemos por R$20 e tinha gente que pagava R$50, muita gente comprou várias para presentear em seus Estados. E as pessoas compravam porque elas não pagavam necessariamente por uma camisa, quando ela compra a camisa com a imagem dos caras, ela está automaticamente aderindo ao movimento, alimentando a roda, nos ajudando e elas sabem disso. Para não dizer que os familiares dos presos não contribuem, recebemos uma lentilha no ano novo da Miruna. Esse não é o foco do acampamento, ser financiado pelo PT ou pela família dos caras. Foi um movimento voluntário e sobrevive de voluntariado (tempo, dinheiro, braço, abraço), não teria lógica a família dos caras nos financiarem, não existiria razão de ser se fosse assim. O PT não se sente na obrigação de contribuir porque o movimento não é uma deliberação partidária, não foi pensado em nenhuma instância, apenas existe. Acontece independente da vontade do Partido.
BMF: Quanto tempo pretendem ficar?
PP: Creio que vamos ficar o tempo que for necessário. Se os caras nos dissessem que o Movimento os prejudica, nós iríamos embora. Mas não é o caso. Solidariedade de gabinete não é solidariedade. Você tem estampar na cara as suas convicções, ter coragem de defender seus pontos de vista e até mesmo de voltar atrás, se for o caso. Os e as parlamentares que os visitaram na cadeia viram as condições em que eles estavam se sensibilizaram, mas tem medo de se pronunciar na maioria dos casos. É medo da mídia distorcer tudo e as pessoas julgarem na rua, julgarem as suas famílias, como acontece com a gente que está no acampamento. As pessoas se sentem no direito de nos ofender e agora ser petista é sinônimo de ser mensaleiro. Antes diziam que a gente comia criancinha, depois que éramos baderneiros e agora somos todos ladrões. Escuto de tudo, mas não me dou ao trabalho de ler o que comentam nas matérias, até porque as pessoas hoje acham que a internet lhes dá direito de vomitarem qualquer coisa a qualquer hora, que isso é democracia. Mas estão errados, eu poderia processar várias, mas não o faço. Só aciono a polícia para as ameaças de morte que venho recebendo desde o jantar da AP 470.
BMF: O que esperam conseguir com esta ação?
PP: Penso que a gente espera que os erros que estão sendo apontados sejam analisados. Que os juristas e órgãos que já se pronunciaram sobre os erros e arbitrariedades sejam ouvidos, pelo bem da nossa democracia. É muito leviano uma juíza em seu voto dizer que não tem nenhuma prova, mas que vai condenar a pessoa porque a Lei permite que ela faça isso. O que foi feito com a inversão do ônus da prova abre um precedente perigoso na Justiça brasileira e sinceramente, ser pautado pela mídia não é ser isento para julgar ninguém. Vários direitos foram negados e vários erros cometidos. Há denúncias improcedentes, como o desvio do Visanet que já foi auditado pelo BB e nada foi encontrado. Colocam que foi desviado dinheiro público, mas se o Visanet é público a pergunta que fica é quando abre concurso para seleção de servidor. Várias publicações já estão sendo disponibilizadas para esclarecer as pessoas e tem um site com vários materiais.
BMF: Essa foi a primeira iniciativa em defesa dos condenados?
Não! No começo do ano passado organizei um jantar para arrecadar fundos para os hoje condenados na AP 470. Logo depois fui na OEA entregar um pedido de revisão da AP 470 e um representante esteve aqui questionando ao STF o que protocolei lá. Vários atos de esclarecimentos sobre a AP 470 foram realizados no país, principalmente pela juventude e pelos movimentos sociais.
 BMF: Você não tem nenhum receio de estar à frente de um movimento desse?
PP: Não. Apesar de ser ofendido, creio que as pessoas tem suas opiniões formadas e é um direito delas tê-las, lutamos muito para que hoje elas tivessem esse direito. Eu posso não concordar com o que falam, mas defendo o direito delas de falar, desde que esse direito não ultrapasse os meus, porque elas não têm o direito de me ofender nem atentar contra a minha vida ou da minha família. Nas manifestações em junho eu fui pra rua manifestar também e como as coisas estava muito soltas, acabei ficando à frente de algumas coisas e quase fui linchado quando a imprensa colocou que eu era o cara que tinha feito jantar pra mensaleiro. As pessoas acham que porque faço a defesa dos caras e sou do PT, não tenho direito de protestar contra as coisas que considero que mereçam ser revistas no país, mesmo o meu partido estando à frente do governo. O direito delas é superior ao meu e a sua limitação construída muitas vezes com o que a grande mídia diz faziam elas acreditarem que eu estava à mando de alguém, quando na verdade fui pra rua porque considerei que aquele movimento era legítimo e que eu deveria estar junto porque tenho insatisfação com as reformas estruturantes que deveriam ter sido promovidas e não foram. Fui ameaçado de morte e penso que a única coisa que passa na cabeça de uma pessoa que quer matar ou espancar outra porque ela pertence a um Partido, é o ódio, ódio de classe disfarçado de uma luta “sem partido”.
FONTE: MARIA FRÔ