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sábado, 8 de março de 2014

AS PRINCESAS DA DISNEY E SEUS ESTEREÓTIPOS

Em outubro de 2009, o Sociological Images colocou duas ilustrações sobre princesas Disney. Esta se chama “O que os príncipes da Disney ensinam aos homens sobre atrair mulheres” (seja rico, charmoso, famoso, e atraente). A outra eu traduzo no final do post.


Pegando o gancho sobre personagens femininas marcantes no cinema, vou falar sobre algo que li esses dias e que tem a ver com personagens feminimos da ficção. Li um artigo de Carolina Lanner Fossatti, da PUC-RS, onde a autora faz uma análise das categorias de gênero sobre as princesas e heroínas disney, e como me interessei pesquisei um pouco mais, encontrando também no a evolução das personagens Disney.
Desde pequena sempre gostei muito dos desenhos Disney e não tinha me dado conta, até agora, do quanto eles nos influenciam. Não é de se estranhar algumas atitudes e pensamentos que povoam o universo infantil, que vão desde o estereótipo imposto como ideal de beleza e de comportamento (branca, magra, submissa, casta) àqueles relacionados a questões sociais (o ideal e aceito pela sociedade é a mulher casar com homem rico).
Pensando agora sobre esses filmes e sua trajetória conseguimos enxergar mudanças e avanços, mas que estão ainda longe de serem totais. As princesas foram se modificando em seu comportamento, nas atitudes, pensamentos, etnias. No desenho mais recente da Disney, a princesa é uma garçonete negra que vive no subúrbio.
Partindo do que eu li nesses links e nas reflexões que tive, já que tenho todos os vídeos dos desenhos e os conheço de cór e salteado, vou citar a evolução dessas personagens:
- Branca de Neve, de 1937, protagonista do primeiro clássico da Disney. Ela inaugura o ideal de princesa que se mantém há mais de sete décadas: uma mulher bonita, dócil, pura e de bom coração. Ao comer a maçã envenenada, Branca de Neve é traída por sua ingenuidade e derrubada pela competição feminina, a Rainha Má. E as únicas pessoas que têm compaixão por ela e a ajudam são homens, os anões e o caçador que a liberta, ao invés de matá-la. Além disso, a salvação de Branca de Neve está na passividade: ela deve esperar deitada e casta até que o príncipe encantado apareça e resolva o problema.
- Cinderela, de 1950, também bela, pura, casta e bondosa, é submetida pela madrasta e pelas irmãs a uma rotina de servidão e humilhações (já que a competição e a maldade feminina imperam), e aceita o sofrimento com doçura. Mais uma vez, a princesa tem uma atitude passiva diante dos problemas, mas desta vez é a Fada Madrinha que traz a salvação, num passe de mágica. Porém, com uma advertência e uma punição para as mulheres que desobedecerem a hora de voltar pra casa. Mulheres de respeito não podem ficar na rua a partir da meia noite. A salvação de sua rotina de humilhações está novamente num homem, ou precisamente, no casamento.
- Aurora, a bela adormecida de 1959. Entre as princesas, é certamente a que tem o papel mais passivo na trama, já que só aparece acordada em menos de 20 minutos de filme. Está sempre preocupada em agir de acordo com o que os outros querem e não reafirma suas próprias opiniões. E claro, é salva por um homem e pelo casamento.
- A pequena sereia, de 1989. A sereia deseja ter pernas para tentar conquistar o príncipe e não hesita em modificar sua aparência física para estar de acordo com o padrão estéticoimposto, mesmo que para isso tenha que sacrificar também sua voz, ou seja, sua liberdade de expressão. Desse modo, vai conseguir o que toda mulher deseja, casamento. Enovamente, a personagem má da história é uma personagem feminina (a bruxa do mar) e que não atende a nenhum estereótipo de beleza ― não é branca, não tem cabelos compridos e é bem gorda. Quando a bruxa do mar lhe diz que ela terá que perder a voz, a sereia lhe pergunta como conseguirá conquistar o príncipe. Ao que a malvada lhe diz: "Você terá sua aparência, seu belo rosto, e não subestime a linguagem do corpo". E ainda canta uma música pra ela que diz assim (versão dublada brasileira): "O homem abomina tagarelas; garota caladinha ele adora. Se você ficar falando, o dia inteiro fofocando, o homem se zanga, diz adeus e vai embora. Não vai querer jogar conversa fora, que os homens fazem tudo pra evitar. Sabe quem é mais querida? É a garota retraída. E só as bem quietinhas vão casar." É mole? Porém, aqui a princesa mostra algum avanço, ao desafiar o poder patriarcal e sair um pouco da passividade, já que ela toma a iniciativa perante o homem.
- Bela, de A Bela e a Fera, de 1991. A heroína que se apaixona pela Fera e enxerga além de sua aparência monstruosa inova ao esnobar o rapaz mais desejado do povoado e demonstrar seu amor pela literatura. Aliás, no começo Bela nem pensa em casamento, apenas almeja sair da cidade pequena e progredir. O interessante é que ela é vista na cidade como uma mulher muito estranha. Todos se perguntam por que ela não quer casar e não se interessa por vaidade, apenas por leitura. E é legal também que colocam um personagem masculino bem boçal e machista, mostrando como ele é grotesco. Também foi a primeira vez que a Disney mostrou uma princesa na posição de salvadora do príncipe, e não o contrário, como de costume.
- Jasmin, de Aladin, de 1992. A filha do sultão é uma das princesas mais avançadas em termos de representação da mulher moderna. Rebelde frente ao poder patriarcal e à ordem da realeza, ela desafia a estrutura social ao assumir o amor por um rapaz de classe bem mais baixa. Diferentemente da maioria das princesas, ela tenta fazer seu próprio destino, sem esperar passivamente pela ajuda dos outros. E é também a primeira vez que a heroína não é branca com características européias. O personagem mau do filme é um homem, porém feio, que não atende a nenhum estereótipo de beleza. Até porque os bonitos são bons.
- Pocahontas, de 1995. Ela é também um marco da visão mais feminista nos desenhos Disney. Desafia o poder patriarcal, não aceita o noivo que o pai lhe impõe, não pensa em casamento, e também não é passiva. Ela é que tomaa iniciativa e ― pasmem! ― beija um homem (e aqui é beijão de lingua, ha ha), sem pensar em casamento. No final, é ela quem salva o homem e toda a sua tribo e ainda discursa com propriedade e sabedoria.
- Mulan, de 1998. Quando o imperador ordena que um homem de cada família seja convocado para servir ao exército, Mulan, sabendo que seu pai está velho e doente e, portanto, não resistiria à guerra, decide assumir seu lugar. Disfarça-se de homem e se apresenta no exército, de armadura, espada e tudo. É legal a parte em que é mostrada indignada com a condição das mulheres, que têm de se enfaixar, se entupir de maquiagem e andarem retidas, com aqueles tamancos altíssimos. Ela odeia isso tudo. E, quando se disfarça de homem, cortando os cabelos, tirando a maquiagem, tirando os vestidos apertados e colocando calças, ela se sente muito mais confortável e feliz. E ainda se dá melhor do que os homens! Se torna o melhor, mais persistente e mais inteligente soldado. Mesmo com menos força, ela se sai melhor, o que é uma vergonha para os homens. No final é ela quem salva um país inteiro! Mulan torna-se a protagonista atual mais feminista da Disney.
- Tiana, de A Princesa e o Sapo. Este ano, a Disney lançou a personagem Tiana, a primeira heroína negra da história do estúdio. Pelo que eu li, Tiana é a primeira do panteão de princesas a trabalhar fora, como garçonete, mas acaba servindo a uma branca rica. Apesar de sua beleza, Tiana passa a maior parte do filme transformada em um sapo, ao lado de um príncipe boêmio, falido e amaldiçoado, longe de estereótipos anteriores.
É bom acompanhar essa trajetória dos desenhos Disney, pois suas mensagens, tanto diretas, indiretas e subliminares, são absorvidas pelas crianças.Esta outra ilustração do Sociological Images fala sobre a Branca de Neve (minha pobre tradução): “Sua sexualidade nascente é uma ameaça para outra mulher, então ela é morta. Sua única qualidade, beleza física, é o que a salva no final”. Sobre Aurora: “Entronada no berço para solidificar uma posição política, ela é morta por uma outra mulher sem nenhum motivo. Seu dono, quer dizer, noivo, a salva com um beijo. Novamente, o sexo é sua única salvação”. Sobre Jasmin: “Esta princesa precisa se casar para satisfazer as exigências da lei. Sua relutância causa muita dor de cabeça a seu pai poderoso. Ela é escravizada por um homem poderoso e salva pela esperteza de um moleque de rua”. Sobre A PequenaSereia: “Esta drasticamente muda sua aparência física para tornar-se mais atraente para os homens. O preço é que não pode falar. Sem problemas, ela não tem nada de importante pra dizer mesmo. É salva por um príncipe”. Sobre Bela: “Salva a vida de um príncipe. Com sua única qualidade, sua sexualidade”. Sobre Cinderela: “Um príncipe a salva de condições de vida terríveis. Ele faz isso não por que ela dá duro, mas porque é linda”.
Aqui um post bem trabalhado sobre contos de fada que são, logicamente, a inspiração para todas as princesas Disney. E recomendo a leitura de um dos livros mais fascinantes que já li, A Psicanálise dos Contos de Fada, de Bruno Bettelheim (tem à venda pelo Submarino). A Lauren recomenda o mais atual Fadas no Divã, de Diana Lichtenstein Corso.


Fonte: Escreva Lola Escreva

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

ANIVALDO PADILHA: SEMPRE NA LUTA PELA VERDADE!


Passei a noite insone pensando no meu querido amigo Anivaldo Padilha.
Enquanto a mídia faz essa campanha sórdida e mentirosa para atingi-lo da forma mais cínica e cruel, atentando contra sua moral ilibada, ele está la em numa cidade do interior de um estado, que nem vou dizer qual para eles não darem plantão ai, em sua luta incansável para que a verdade seja reestabelecida e que a verdade sobre o que ocorreu nos porões da ditadura sejam esclarecidas.
Todos nós fomos tomados de surpresa, eis que jamais cometeu os atos apontados por esse folhetim infame, que é mestre em destruir reputações.
A vida de Anivaldo sempre foi pautada na luta contra todo o tipo de opressão.
Sua história de vida é um exemplo para todos aqueles que estão lutando por um mundo melhor.
Minha indignação não tem tamanho.
A guerra suja daqueles que querem macular a imagem de um homem que é referência mundial na luta pelos direitos humanos só tem uma intenção: mostrar o desespero, porque sabem que Alexandre Padilha será o Governador de São Paulo e isso essa elite inescrupulosa aliada desde que o Brasil foi invadido nos momentos mais sangrentos de nossas história.
Tudo isso é fruto do trabalho de seu filho Alexandre, que por sua ideologia de médico humanista, para levar saúde a todos os excluídos de nosso país, mexeu com a classe mais privilegiada do país, a dos médicos! Fez com que milhares de brasileiros tivessem acesso às políticas públicas de saúde e mais, mostrou ao Brasil que não tem medo de enfrentar os poderosos do país!!!!
Seu filho, querido Anivaldo é fruto de duas pessoas que sempre estiveram ao lado dos mais pobres.
Não só o Alexandre é fruto de uma criação ideológica. Não vou citar o nome do nosso querido artista, para ele também ser poupado dessa campanha difamatória.
Seu trabalho é reverenciado no mundo todo, só aqui no brasil é que essa imprensa ordinária não reconhece.
Você é referência por onde andas, seja nos lugares mais remotos do Brasil ou em países onde essa imprensa tosca jamais terá seu trabalho reconhecido.
Nada, nem ninguém tira sua história de vida!
Para quem não conhece Anivaldo, vou reproduzir esse texto que é um testemunho de sua vida

ATO PÚBLICO DE REPATRIAÇÃO DOS DOCUMENTOS DO PROJETO BRASIL: NUNCA MAIS

REFLEXÕES SOBRE MEDIDAS DE VERDADE: DO BRASIL NUNCA MAIS A UMA COMISSÃO DA VERDADE.


Depoimento de Anivaldo Padilha


Dedico este depoimento à memória de Paulo Wright e Ivan Mota Dias (prebiterianos) e de Heleni Guariba (metodista), mortos sob torturas e desaparecidos; à memória de Celso e Fernando Cardoso da Silva, jovens metodistas presos comigo, e que já não se encontram mais entre nós; à memória de Richard Shaull, missionário americano presbiteriano, um dos que plantaram as sementes da Teologia da Libertação; e à memória de Brady Tyson, missionário americano metodista que nos viabilizou os laços com Martin Luther King, Jr.


Minhas primeiras palavras são de agradecimento pela honra que o a Procuradoria da República e Conselho Mundial de Igrejas me concederam ao me convidar para fazer este depoimento. Sinto-me honrado porque minha história, nos últimos 50 anos, está intimamente ligada ao CMI e ao movimento ecumênico. E o projeto “Brasil: Nunca Mais”, é um dos capítulos mais importantes da história da contribuição do movimento ecumênico brasileiro e internacional à luta pelos Direitos Humanos no Brasil.

O projeto “Brasil: Nunca Mais” só pode ser desenvolvido porque contou com um movimento ecumênico que se desenvolveu em nosso país a partir da primeira metade da década de 1950 quando, no seio do protestantismo, a Confederação Evangélica do Brasil, inspirada pelo CMI, criou o Setor de Responsabilidade Social, responsável por desenvolver uma série de reflexões sobre o papel da Igreja no Brasil, em um contexto de rápidas transformações sociais e políticas. Desse processo surge o Movimento Latino-Americano de Igreja e Sociedade (ISAL), que teve papel fundamental na organização do pensamento social ecumênico na América Latina.

Concomitantemente, a partir do início da década de 1960 a Igreja Católica Romana também sentia os efeitos renovadores trazidos pelo Papa João XXXIII, e pela primeira vez se abria para o ecumenismo.

Esses novos ares tiveram grande impacto nas igrejas, especialmente entre a juventude e intelectuais, estudantes, e pastores e padres jovens, levando-nos a construir processos de diálogo e de cooperação nas lutas pelas transformações sócio econômicas em nosso continente. É nesse processo que germinam as sementes do que veio a ser conhecida como Teologia da Libertação, tanto em suas vertentes protestante quanto católica.

Esse processo é interrompido temporariamente pelo golpe militar de 1964 que leva à prisão, à clandestinidade ou ao exílio grande parte das nossas lideranças e ao desmantelamento das nossas organizações, inclusive da Confederação Evangélica do Brasil.

O período pós-golpe significou re-aglutinar as pessoas, criar novas formas de organização e redefinir nosso papel. Com os novos ventos que sopraram da Conferência Episcopal Latino-Americana, em Medellín, em 1968, o movimento ecumênico ganha novo ímpeto e possibilita uma ação ecumênica mais efetiva com a adesão de grandes contingentes católicos. É importante destacar o papel do Centro Evangélico de Informação, fundado em 1965 (transformado em Centro Ecumênico de Documentação e Informação em 1975 e, a partir de 2004, em KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço).

A partir do AI-5, quando a tortura é institucionalizada como método sistemático de interrogatório e instrumento de terror político do Estado, coube ao movimento ecumênico alimentar as redes ecumênicas internacionais com informações sobre o que se passava nos porões da ditadura e denunciar as torturas internacionalmente. Outra contribuição foi a criação de redes ecumênicas de apoio para proteger perseguidos políticos rumo ao exílio.

Foi como participante ativo desse movimento que fui preso na manhã do dia 28 de fevereiro de 1970, por agentes da OBAN, em São Paulo, principal centro de torturas do pais. Comigo foi presa também Eliana Rolemberg, que me assessorava em uma pesquisa que eu coordenava para a ULAJE sobre Juventude e Mudança Social na América Latina. Na época, eu exercia as funções de Secretario, para o Brasil, da ULAJE e de redator de uma revista mensal “Cruz de Malta”, da Igreja Metodista.

Ao chegarmos à OBAN, depois que Eliana e eu fomos separados, fui conduzido a uma sala para ser interrogado. Assim que a porta se fechou, recebi um soco no estômago, com tal violência, que caí e fiquei alguns segundos sem poder respirar. Começaram, então, a aplicar em mim o “telefone”, método de tortura que consiste em golpear os ouvidos da vítima com as duas mãos ao mesmo tempo, em formato côncavo. Os golpes foram repetidos várias vezes, seguidos de gritos para que eu confessasse ser membro de uma organização clandestina e que revelasse os nomes e endereços de todos os meus amigos. Após esse interrogatório fui levado a uma das celas.

Na parte da tarde, fui levado novamente para interrogatório. A partir desse momento, as torturas se intensificaram. Trouxeram Eliana, Celso e Fernando Cardoso da Silva, dois jovens metodistas como eu, que tinham sido presos também, e nos aplicaram golpes de “palmatória”, novamente o “telefone” e choques elétricos.

Depois de muito tempo de torturas, nos separaram e fui levado de volta à cela, já ao escurecer. Eu não havia ingerido nenhum alimento desde o café da manhã. Minha boca estava extremamente seca. Tinha a impressão de que minha língua ia rachar ou que minhas mucosas estavam se esfacelando. Pedi água e o carcereiro me respondeu: “não tenho autorização para dar água a presos que voltam do interrogatório. Beber água logo depois de levar choques pode matar”. Trouxeram a janta: sobras da comida do quartel trazidas em grandes caldeirões. Tive dificuldade para comer. Além da boca seca, minhas mãos estavam inchadas e eu mal conseguia segurar a colher. Ademais, eu tinha grande dificuldade para deglutir a comida composta de arroz, feijão e tomate picado Meu companheiro de cela insistiu para que eu comesse porque aquela era a única refeição diária. Às vezes, serviam o café da manhã, que consistia em uma pequena caneca de café com leite e um pãozinho. Conheci, naquele instante, uma outra forma de tortura: a fome. Não consegui dormir.

Tarde da noite, vieram me buscar novamente. Achavam que eu devia ser um comunista importante porque tinha relações internacionais, especialmente com o mundo ecumênico. E, segundo eles, esse era um movimento subversivo. Forçaram-me a tirar minha roupa e me colocaram na “cadeira do dragão”. Uma cadeira revestida com folhas de metal conectadas por um fio a um rádio militar de campanha. Fui colocado nu no assento com minhas mãos e pés amarrados. Exigiram que eu desse todas as informações que eu possuía. A cada negativa, o torturador girava a manivela do telefone para aumentar a intensidade dos choques. Para tornar os efeitos mais fortes, colocaram uma toalha úmida sob minhas nádegas. Os choques me provocavam convulsões e gritos. A sensação era de perda total de controle sobre minha capacidade mental, racional, e sobre os meus movimentos. Era insuportável!

Até aquele momento, eu não tinha informação sobre o que acontecia com Eliana ou com Celso e Fernando. De repente, percebi que Eliana estava também estava sendo torturada na sala ao lado. Podia ouvir seus gritos e suas recusas em cooperar com os torturadores.

De madrugada me levaram de volta à cela. O medo tomava conta de mim. Eu tinha medo de não conseguir resistir e acabar por revelar nomes e endereços de meus amigos e companheiros.

Pela primeira vez na minha vida me via confrontado pela possibilidade real e iminente de morrer. Como evitar esse desfecho? Ou como encará-lo com dignidade? Então, decidi que, já que morrer parecia inevitável, era melhor que isso acontecesse antes que novas torturas ocorressem. O suicídio parecia ser o único caminho. E, se cooperar era o preço para salvar minha vida, eu não conseguiria conviver com o profundo sentimento de culpa que certamente me acompanharia para sempre. Seria uma vida sem Vida! Procurei e não encontrei nada que eu pudesse usar para me suicidar e percebi que nem a opção do suicídio me era disponível. Eu estava só e à mercê dos torturadores!

Iniciei, então, um processo de revisão da minha vida. Lembrei-me, sobretudo, do meu desenvolvimento pessoal, na Igreja Metodista, baseado em uma espiritualidade encarnada no mundo e nas dores do meu próximo. E que foi essa espiritualidade que me levou a dedicar-me à solidariedade com os oprimidos e discriminados e à construção de um mundo mais justo, solidário e verdadeiramente democrático.

Tomei consciência, nesse momento, de que a minha vida não mais me pertencia pois eu a havia dedicado inteiramente às exigências da minha Fé. Matar-me seria como se eu estivesse a exigir a devolução de algo que eu havia doado. Minha vida pertencia a Deus. Tudo isso me fez encontrar as forças necessárias para resistir.

Eu era fisicamente muito fraco em relação aos torturadores e me perguntava: “por que usam tanta violência para me dominar”? Essa pergunta não saía da minha mente até que tudo começou a clarear. Eu tinha algo mais forte dentro de mim: o amor à Verdade, à Justiça, à Ética, e o compromisso com o povo, além do apoio de uma imensa comunidade que não se calava diante da tirania nem se deixava dominar pelas forças que haviam usurpado o poder em nosso país. Os torturadores eram fisicamente fortes, mas moralmente eu era mais forte e tinha condições de resistir.

Se eu tivesse que morrer, não não podia ser por ato voluntário. Que a ditadura assumisse a responsabilidade pela minha morte.

Entrei em um processo lento de tranqüilidade e de serenidade. Senti que eu estava me preparando para o que me parecia inevitável. O medo, ainda que presente de forma muito forte, não mais me dominava. Eu tinha me reencontrado com minha história e comigo mesmo. Já amanhecia e, finalmente, consegui dormir.

Mais tarde, ao ser levado para mais uma sessão de torturas, percebi que estava sofrendo de uma espécie de amnésia pois não conseguia me lembrar de praticamente nenhum dos meus companheiros. Os únicos nomes presentes na minha memória eram os de meus familiares imediatos. Minha memória havia se apagado seletivamente. Por isso, apesar da intensidade das torturas, eu não tinha como colaborar. Foi um fenômeno para o qual jamais encontrei explicação racional e conclusiva. Creio que o ser humano, quando se encontra em uma situação-limite, como eu me encontrava ali, é levado a buscar em suas profundezas aquela força divina que todos possuímos dentro de nós. E essa força não é monopóplio de cristãos ou de pessoas religiosas. Pude presenciar situações semelhantes de resistência por parte de companheiros ateus. Para mim, foi resultado da força daquela fé, qualquer fé, que há dentro de todos nós.

Os interrogatórios diários, acompanhados de torturas físicas (choques, cadeira do dragão, socos, palmatória) e morais (simulação de execução, saída de carro com ameaças de jogarem meu corpo na Serra do Mar, insultos, ser qualificado com palavras de baixíssimo calão, ameaças de torturarem meus pais etc) continuaram por muitos dias e depois diminuíram, até que, finalmente, fomos enviados ao DOPS para as formalidades policiais. Foram vinte dias diretos de “interrogatórios” na OBAN. No DOPS – depois de de enviados de volta a OBAN por duas vezes, Celso, Fernando e eu fomos indiciados na Lei de Segurança Nacional e enviados ao antigo Presídio Tiradentes. A acusação formal: “infiltração subversiva na Igreja Metodista”!!!. O próprio promotor não aceitou as bases para o nosso indiciamento e fomos colocados em liberdade.

Ao sair da prisão, sem condições de trabalhar e sob risco de nova prisão, tive que me exilar. Com o apoio do CMI e das redes ecumênicas de apoio, consegui chegar clandestinamente ao Uruguai, depois à Argentina e ao Chile. Após alguns meses, fui para os Estados Unidos com o apoio das igrejas protestantes daquele pais onde consegui reconstruir minha vida e continuar, no exterior, a luta contra a ditadura. Posteriormente, transferi-me para a Suíça. No total, passei 13 anos no exílio.

Por mais de seis anos tive pesadelos nos quais eu revivia as sessões de tortura. Os torturadores continuavam dentro de mim a me torturar. Eu tinha que vence-los. A luta foi longa até que percebi que compreendi que o caminho a seguir era o do perdão. Ao perdoa-los, consegui vencê-los. O perdão significou para mim um processo terapêutico. Há momentos que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado, mas isso no nível das relações inter-pessoais. Isso não significa compactuar com a impunidade. Os crimes cometidos não foram apenas contra mim. Foram contra a sociedade brasileira e a sociedade tem o direito de investiga-los e punir os responsáveis diretos e indiretos.

Termino com um apelo. Suponho que todos neste auditório sabem que a tortura era uma política de Estado. Por isso, é essencial o estabelecimento de uma comissão da verdade para investigar os crimes da ditadura, apontar quem são os torturadores, seus mandantes, seus colaboradores e apoiadores. A punição deles é importante para resgatar a dignidade dos que foram torturados, a dignidade da memória dos assassinados e desaparecidos e a dignidade das famílias que não puderam ainda sepultar seus entes queridos. Além disso, a impunidade contribui para que a tortura ainda seja praticada em larga escala nas delegacias e prisões brasileiras e para que outras formas de intolerância se fortaleçam em nosso país. Os que se opõem à abertura dos arquivos da ditadura e à divulgação da verdade e a punição dos que estabeleceram o Terror do Estado nos chamam de revanchistas. Revanche ou vingança seria tratá-los como nos trataram. Não, não queremos vingança, mas Justiça. Que sejam investigados, processados, garantindo a eles o devido processo e julgados pelas cortes do Estado de Direito e não por tribunais de exceção como fizeram conosco.

Em suma, a punição representaria o resgate da dignidade da sociedade brasileira que foi violentada por um regime autoritário.

Termino citando o profeta Jeremias: “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lam. 3.21) Minha esperança é que a memória desse passado contribua para que esse Brasil, nunca mais!

Muito obrigado


Anivaldo Padilha

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

TRINCHEIRA DA RESISTÊNCIA E LUTA: ENTREVISTA COM PEDRO HENRICHS

Entrevista com Pedro Henrichs da Trincheira da Resistência.

Blog Maria Frô: Quem teve a ideia do Acampamento?
Pedro Paulo: No dia da chegada dos companheiros à Brasília (no feriado de 15 de novembro), após aquela performance midiática com jatinhos, esperávamos os companheiros na porta da PF e falamos que deveríamos sair dali e ir para frente da Papuda. Quando voltei para casa, tomei um banho e postei na minha página do Facebook que estava indo e que quem quisesse me acompanhar poderia ir que eu estaria esperando, foi aí que o João Paulo apareceu. Como ele estuda Direito, passamos a noite conversando sobre os erros da AP470. Mas quando iniciamos a vigília lá em frente à Papuda nunca imaginamos que se tornaria um movimento com tamanha adesão. Éramos apenas eu e o João Paulo naquele sábado, tomando um chimarrão. No domingo à tarde já começaram a chegar novos companheiros e aquilo foi se tornando um espaço de solidariedade e apoio, foi de fato se tornando um movimento. Não foi uma ideia premeditada, foi algo que foi acontecendo, as pessoas foram chegando e participando.
BMF: Quem organiza? Há um comando?
PP: Hoje mais de 2 meses que estamos acampados e manter um espaço como aquele por tanto tempo requer no mínimo organização. Não há um centro de comando, aonde alguém dá a ordem e os outros cumprem sem questionar. Há um espaço de deliberação coletiva e os que vivem a vida do acampamento opinam sobre seu dia a dia. Mas temos algumas referências, por exemplo, tem uns três que se encarregam de fazer a comunicação sobre o que acontece lá (o que nos ajuda muito quando somos atacados e temos a vida ameaçada), tem duas pessoas responsáveis por receber as doações e fazer as compras, mais duas que ficam responsáveis pela logística interna e em uma reunião que fizemos ontem à noite fiquei responsável por fazer o diálogo para fora do acampamento. Todas as pessoas que vão lá tem direito a dar opinião e sugestão e colocamos em discussão a viabilidade daquela proposta, como o farinhaço na Câmara, o baldaço no STF, uma roda de samba ou uma de formação política.
BMF: Quando o acampamento começou?
PP: Como respondi no primeiro item, ele começou sem ser pensado em um acampamento, pelo menos não na proporção que tomou (já tivemos momentos com 30 acampados lá). Penso que ele começou assim que foi decretada a prisão dos companheiros, que eu e todos e todas que aderiram a ideia, fizemos isso para mostrar solidariedade, porque por mais que os caras não nos vejam, não nos conheçam ou saibam quem somos, sabem que tem gente lá fora que abdicou da sua vida para prestar solidariedade diante das arbitrariedades da AP 470, que estamos ali em reconhecimento e gratidão por tudo o que esses caras fizeram pelo país, pela democracia brasileira e pelo Partido.
BMF: Se é um acampamento de solidariedade aos presos por que mudaram da Papuda para o STF?
PP: O acampamento tem uma função de existir. Nossa proposta em ficar em frente à Papuda era até que o Genoíno pudesse receber os cuidados médicos. Ali, apesar da hostilidade de alguns funcionários que passavam xingando, tínhamos a visibilidade que a imprensa proporciona e era extremamente mais seguro (aquele jovem de Águas Claras, cidade satélite de alto poder aquisitivo aqui, não teria tido coragem de ir lá com um canivete cortar nossas bandeiras se estivéssemos na Papuda, porque não teria rotas de fuga e a imprensa ficava à espreita na porta da Penitenciária, vigiando quem entrava e saía e incitando os familiares dos presos). É importante ressaltar que nunca recebemos hostilidade dos familiares dos presos, ao contrário, eles iam lá perguntar o que estávamos fazendo e conversavam sobre as condições dos seus familiares. Muitos diziam que talvez agora as pessoas iam olhar para a situação das pessoas dentro das cadeias, que nas condições que viviam era muito difícil se reabilitarem para viver em sociedade. Quando o Genoíno foi internado e logo depois recebeu autorização para ficar em regime domiciliar, sabíamos que era o momento de ir para outro lugar. Fomos para o quintal do STF para que todos e todas que passam pela Esplanada possam saber que tem gente que discorda dessa AP 470 e pede um novo julgamento e para os juízes responsáveis pelo Tribunal também terem ciência que apesar deles não serem escolhidos pelo povo, tem gente de olho no trabalho deles, exercendo o controle social, e estamos lá para apontar todas as falhas no processo.
BMF: Quantos são? O acampamento aumentou diminuiu?
PP: Nosso número é relativo, depende muito. Tem fins de semana que vem delegações de outros Estados, então ficamos lotados. Tem muitos que trabalham durante o dia e vão para lá à noite, fazer vigília. Mas nosso contingente sempre aumenta. Por questões de segurança prefiro não quantificar em quanto somos, até porque já recebemos muitos ataques e ameaças às nossas vidas.
BMF: Quem são vocês? O que mobiliza cada um de vocês a fazer isso?
PP: Na maior parte somos militantes de esquerda e dos movimentos sociais e o que nos motiva é desmontar essa farsa midiática que o STF criou junto da imprensa. Não posso responder por cada um, mas acredito que de modo geral o que motiva aquelas pessoas a estarem ali é não apenas mostrar solidariedade aos companheiros por tudo o que eles fizeram pelo país e pela nossa democracia, mas apontar também os erros que a nossa mais alta corte comete, inclusive com o criador da teoria do domínio de fato criticando o modo como sua teoria foi usada nesse processo e tantos outros grandes juristas que apontam as inúmeras falhas. Temos o entendimento que queriam condenar o Partido dos Trabalhadores e não podemos aceitar esse golpe.
BMF: Todos os acampados são de BSB? Vocês trabalham? Como mantêm um acampamento 24 horas por dia?
PP: Os que cuidam do acampamento são de Brasília, mas recebemos muitos companheiros de fora (como o Beto Mafra, militante petista de Belo Horizonte) o tempo todo. Os que trabalham cumprem sua jornada em seus respectivos empregos e voltam após o expediente. Os que não trabalham se revezam em cuidar do acampamento. Tem gente que vai lá pela manhã, tem gente que vai na hora do almoço e tem gente que só dá uma passada à noite. Mantemos o acampamento pela organização que criamos, aonde as pessoas vão chegando e colaborando sem precisar serem demandadas.
BMF: Quais são os custos? Há banners, as pessoas precisam de alimentação, precisam sobreviver dentro e fora do acampamento. De onde vem os recursos? De onde vem os recursos para cartazes como estes? Os familiares dos presos contribuem? O PT contribui?
Foto do cartaz extraído do Facebook
PP: Como não poderia falar em um movimento de solidariedade, sobrevivemos de solidariedade. Acredito inclusive que é a principal característica da esquerda, a solidariedade. Os custos são principalmente referentes à alimentação de quem está lá e água, os valores são depositados em uma poupança e fazemos um balancete para prestar contas. Recebemos doação do país inteiro, de dinheiro a presunto defumado. E também pedimos para as pessoas que temos relação, como no caso do banner, que foi uma doação. No geral, gerador, ônibus, tenda, barraca, fogão, jaca, panela, tudo doação ou empréstimo. Mas o nosso principal financiador foram as camisas que mandamos rodar e vendemos principalmente no Congresso do PT. Tivemos um custo de R$10 e vendemos por R$20 e tinha gente que pagava R$50, muita gente comprou várias para presentear em seus Estados. E as pessoas compravam porque elas não pagavam necessariamente por uma camisa, quando ela compra a camisa com a imagem dos caras, ela está automaticamente aderindo ao movimento, alimentando a roda, nos ajudando e elas sabem disso. Para não dizer que os familiares dos presos não contribuem, recebemos uma lentilha no ano novo da Miruna. Esse não é o foco do acampamento, ser financiado pelo PT ou pela família dos caras. Foi um movimento voluntário e sobrevive de voluntariado (tempo, dinheiro, braço, abraço), não teria lógica a família dos caras nos financiarem, não existiria razão de ser se fosse assim. O PT não se sente na obrigação de contribuir porque o movimento não é uma deliberação partidária, não foi pensado em nenhuma instância, apenas existe. Acontece independente da vontade do Partido.
BMF: Quanto tempo pretendem ficar?
PP: Creio que vamos ficar o tempo que for necessário. Se os caras nos dissessem que o Movimento os prejudica, nós iríamos embora. Mas não é o caso. Solidariedade de gabinete não é solidariedade. Você tem estampar na cara as suas convicções, ter coragem de defender seus pontos de vista e até mesmo de voltar atrás, se for o caso. Os e as parlamentares que os visitaram na cadeia viram as condições em que eles estavam se sensibilizaram, mas tem medo de se pronunciar na maioria dos casos. É medo da mídia distorcer tudo e as pessoas julgarem na rua, julgarem as suas famílias, como acontece com a gente que está no acampamento. As pessoas se sentem no direito de nos ofender e agora ser petista é sinônimo de ser mensaleiro. Antes diziam que a gente comia criancinha, depois que éramos baderneiros e agora somos todos ladrões. Escuto de tudo, mas não me dou ao trabalho de ler o que comentam nas matérias, até porque as pessoas hoje acham que a internet lhes dá direito de vomitarem qualquer coisa a qualquer hora, que isso é democracia. Mas estão errados, eu poderia processar várias, mas não o faço. Só aciono a polícia para as ameaças de morte que venho recebendo desde o jantar da AP 470.
BMF: O que esperam conseguir com esta ação?
PP: Penso que a gente espera que os erros que estão sendo apontados sejam analisados. Que os juristas e órgãos que já se pronunciaram sobre os erros e arbitrariedades sejam ouvidos, pelo bem da nossa democracia. É muito leviano uma juíza em seu voto dizer que não tem nenhuma prova, mas que vai condenar a pessoa porque a Lei permite que ela faça isso. O que foi feito com a inversão do ônus da prova abre um precedente perigoso na Justiça brasileira e sinceramente, ser pautado pela mídia não é ser isento para julgar ninguém. Vários direitos foram negados e vários erros cometidos. Há denúncias improcedentes, como o desvio do Visanet que já foi auditado pelo BB e nada foi encontrado. Colocam que foi desviado dinheiro público, mas se o Visanet é público a pergunta que fica é quando abre concurso para seleção de servidor. Várias publicações já estão sendo disponibilizadas para esclarecer as pessoas e tem um site com vários materiais.
BMF: Essa foi a primeira iniciativa em defesa dos condenados?
Não! No começo do ano passado organizei um jantar para arrecadar fundos para os hoje condenados na AP 470. Logo depois fui na OEA entregar um pedido de revisão da AP 470 e um representante esteve aqui questionando ao STF o que protocolei lá. Vários atos de esclarecimentos sobre a AP 470 foram realizados no país, principalmente pela juventude e pelos movimentos sociais.
 BMF: Você não tem nenhum receio de estar à frente de um movimento desse?
PP: Não. Apesar de ser ofendido, creio que as pessoas tem suas opiniões formadas e é um direito delas tê-las, lutamos muito para que hoje elas tivessem esse direito. Eu posso não concordar com o que falam, mas defendo o direito delas de falar, desde que esse direito não ultrapasse os meus, porque elas não têm o direito de me ofender nem atentar contra a minha vida ou da minha família. Nas manifestações em junho eu fui pra rua manifestar também e como as coisas estava muito soltas, acabei ficando à frente de algumas coisas e quase fui linchado quando a imprensa colocou que eu era o cara que tinha feito jantar pra mensaleiro. As pessoas acham que porque faço a defesa dos caras e sou do PT, não tenho direito de protestar contra as coisas que considero que mereçam ser revistas no país, mesmo o meu partido estando à frente do governo. O direito delas é superior ao meu e a sua limitação construída muitas vezes com o que a grande mídia diz faziam elas acreditarem que eu estava à mando de alguém, quando na verdade fui pra rua porque considerei que aquele movimento era legítimo e que eu deveria estar junto porque tenho insatisfação com as reformas estruturantes que deveriam ter sido promovidas e não foram. Fui ameaçado de morte e penso que a única coisa que passa na cabeça de uma pessoa que quer matar ou espancar outra porque ela pertence a um Partido, é o ódio, ódio de classe disfarçado de uma luta “sem partido”.
FONTE: MARIA FRÔ