quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Justiça mineira manda prender jornalista adversário de Aécio

O jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, diretor de redação do site novojornal.com, foi preso na manhã da última segunda-feira (20) em Belo Horizonte por autorização da juíza Maria Isabel Fleck, da 1ª Vara Criminal da capital mineira. 


Carone foi denunciado pelo Ministério Público estadual em novembro por formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, uso de documento falso, denunciação caluniosa majorada e fraude processual majorada – todas acusações relativas ao contato entre o jornalista e o lobista Nilton Monteiro, que tornou pública a Lista de Furnas após ter colaborado com suposto esquema de desvio de dinheiro da estatal.

A juíza entende que ambos fazem parte de uma quadrilha cujo objetivo é “difamar, caluniar e intimidar” adversários políticos, e autorizou a prisão preventiva do jornalista para impedir novas publicações. Além disso, aponta o fato de que o NovoJornal seria financiado com dinheiro de origem ilegal, uma vez que o site não contaria com anunciantes suficientes para manter a página.

Carone, amparado pelo bloco parlamentar Minas Sem Censura, que reúne deputados estaduais de PT, PMDB e PRB, negam as acusações e denunciam perseguição política e investida dos aliados do senador Aécio Neves (PSDB) para calar o NovoJornal. “Ora, se você estabelece a prisão preventiva para evitar a publicação de material jornalístico, está oficializada a censura prévia”, lamenta o deputado Rogério Correia (PT), vice-líder do bloco Minas sem Censura.

“Assim que voltarmos do recesso, vamos convocá-lo para prestar depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Nesse caso, ele pode vir mesmo estando preso, para denunciar a perseguição promovida pelo PSDB de Minas contra seus adversários políticos”, defende o parlamentar, que afirma já ter sido alvo de prática similar. “Quando do surgimento da Lista de Furnas, encaminhei o relatório à Polícia Federal e, por isso, o vice-presidente nacional do PSDB tentou a cassação do meu mandato. É a mesma situação. A censura tem agentes no Ministério Público e no Judiciário, mas, quando é com a imprensa, quem organiza a perseguição é a própria irmã do senador, Andréa Neves.”

NovoJornal, em texto publicado no ano passado, acusa a irmã de Aécio, que é jornalista e integrará a direção da campanha a presidente do tucano, de ter procurado anunciantes do portal à época e intimidá-los para que parassem de investir no “jornaleco da oposição”. O senador Aécio Neves foi procurado pela RBA por meio do diretório nacional do PSDB para comentar o caso, mas não deu resposta à reportagem até o momento da publicação.

A Lista de Furnas é um documento que revela as quantias pagas a políticos de PSDB, PFL (hoje DEM) e PTB em esquema de desvio de verbas intermediado pelo publicitário Marcos Valério em 2000, com o objetivo de abastecer o caixa dois de campanha desses partidos nas eleições de 2002, caso que ficou conhecido como “mensalão tucano” por envolver os mesmos personagens e operações envolvendo denúncias contra o PT em 2005. O PSDB nega a existência do esquema, que pode ter movimentado mais de R$ 40 milhões, e a autenticidade da Lista de Furnas, embora a Polícia Federal tenha comprovado, em perícia, que a lista conta com a caligrafia de Dimas Toledo, então presidente da estatal de energia. O caso aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal; o julgamento contra o PT foi realizado entre 2012 e 2013, e condenou 36 pessoas.

Em entrevista realizada em agosto do ano passado e divulgada pelo Youtube, o ex-advogado de Nilton Monteiro Dino Miraglia afirmou que o caso de Furnas envolveria até o assassinato da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, em agosto de 2000 – segundo ele, além de trabalhar como garota de programa para os envolvidos no esquema, ela era ainda responsável por transportar o dinheiro desviado da estatal em malas. O assassinato, registrado como suicídio até a revelação de sinais de asfixiamento da modelo, seria queima de arquivo, uma vez que a modelo queria abandonar a quadrilha.

Miraglia abandonou a defesa do lobista Monteiro após ter a casa invadida por dez policiais militares que tinham mandato para procurar um documento falso, mas que teriam aproveitado a oportunidade para ameaçar sua vida. O motivo teria sido o pedido do advogado para enviar a Lista de Furnas ao STF.

Fonte: Rede Brasil Atual

O governo invisível não quer Dilma


A expressão ‘siga o dinheiro’, comum em filmes policiais, ilustra a percepção correta, adiantada por Adam Smith, de que a moeda desenha estradas invisíveis na sociedade.

Rastreando-as  é possível desvendar aquilo que não se oferece imediatamente  à vista.

Pelos caminhos do dinheiro circulam  desde carregamentos lícitos, como safras, a armamentos, sonegações fiscais, drogas, favores políticos e outras miunças.

Os bancos são o entreposto de serviços desse trânsito.

Ademais de concederem  abrigo seguro e rentável ao fluxo  –eventualmente lavá-lo das marcas do caminho-- tem o poder de gerar e direcionar novos volumes de tráfego, em emissões de crédito desdobradas da carga ociosa em seus depósitos.

Esse notável replicador  conecta-se a outros entroncamentos por onde o dinheiro graúdo viaja em primeiro  classe, engordando sua existência (às vezes  acometida de emagrecimentos súbitos causados pela gula tóxica).

O conjunto forma o que se chama de sistema financeiro.

Pelo calibre dos interesses que reúne,  a abrangência da ramificação e o poder de influencia que exerce , constitui  uma espécie de governo invisível da sociedade.

 O governo invisível  não quer a reeleição de Dilma.

Pesquisa feita com duas dezenas de expressivos dirigentes dessa constelação, ao abrigo do anonimato, como manda  o ofício, constata que o ‘Setor financeiro quer mudança no Planalto’, informa o jornal Valor Econômico desta 3ª feira.

As relações entre o governo invisível e o visível (qualquer que seja ele) desenvolvem-se em um amplo gradiente.

Oscilam da extrema  cordialidade a  variados graus  de inevitáveis fricções, em se tratando de duas  ordens  distintas se representação do mosaico social.

O governo invisível acha que o governo Dilma atrapalha o seu sistema viário - ainda que longe de comprometer o valor corrigido e real da frota, como atestam as taxas de juros do país, entre as três mais altas do mundo.

Prefere-se, indica o Valor,  que o Estado seja gerido por centuriões de integral confiança, a exemplo daqueles que assessoram Aécio Neves, como o ex-presidente do BC tucano, Armínio Fraga;  ou o economista Gianetti Fonseca, ligado a Marina Silva e Campos.

Em síntese, gente que aplique como se deve a regra do tripé, a saber:

inflação na meta (leia-se, juros altos); câmbio livre (leia-se, nenhum controle sobre o fluxo volátil de capitais) e equilíbrio fiscal (leia-se, arrocho para garantir os juros dos rentistas).

A esse conjunto, o naipe liberal  credita a chave da ‘estabilidade econômica’.

A quebra especulativa do sistema financeiro mundial sugere  que o sagrado tridente com o qual o governo invisível pretende tanger o visível não entrega  necessariamente o que promete.

O problema da instabilidade do capitalismo mostrou-se mais uma vez  inerente ao próprio sucesso do sistema que encoraja ditos agentes racionais e alçarem voos cada vez mais cego, altos e inseguros.

A ausência de regulação disciplinadora levou-os na crise recente de volta às correntezas de vento  exploradas originalmente pelo charlatão italiano Charles Ponzi.

Imigrante pobre nos EUA dos anos 20, Ponzi descobriu que podia fazer uma espécie de arbitragem com a diferença de preços dos selos, mais caros  nos EUA que na Europa.

Nasceria assim o bisavô do atual carry trade ( aplicação financeira que consiste em tomar dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplicá-lo em outro, de taxas maiores).

Ponzi captava dinheiro nos EUA para comprar selos na Europa e revendê-los no mercado americano.

A diferença era embolsada pelo investidor com a promessa de rendimentos  trimestrais que oscilavam de 50% a até 100%.

O negócio floresceu rapidamente  gerando  filas na porta de Ponzi, que contratou dezenas de agentes captadores movidos  promessas de bônus milionários.

A roda da bicicleta  passou a girar  como se imagina.

De uma captação inicial da ordem de US$ 6 mil, em fevereiro de 1920, saltaria para a faixa dos  US$ 400 mil em maio.

Dois meses depois transitava na casa dos seis zeros.

Ponzi descobriu que ganharia mais sem desperdiçar recursos com os selos.

Abaixo os intermediários: pagava a fila de ontem  com os recursos captados hoje.

No final de 1920, o negócio foi desmascarado, levou milhares à ruína e Ponzi à cadeia, como charlatão financeiro. 

Poucos se deram conta de que estava ali  também um filho típico daqueles tempos de sucesso inebriante dos mercados financeiros sem lei.

O sentido ficou mais claro nove anos mais tarde quando a Bolsa de Nova Iorque quebrou deflagrando uma crise mundial da qual o capitalismo só se livrou com a  Segunda Guerra.

A memória seletiva dos rapazes do mercado e dos vulgarizadores da superior  eficiência dos livres mercados  ajuda a entender como depois  quase um século, a bicicleta girou em falso novamente, dando um tombo global no mercado em 2007/2008.

Sucessores avulsos de Ponzi ,como Bernard Maddoff, estavam presentes.  Mas, sobretudo, uma miríade institucional.

O que são, afinal,  os derivativos a não ser  fundos indexados a outros fundos, cujo lastro efetivo repousa sobre material de qualidade tão sofrível quanto os selos- fantasia de Ponzi? Ou o recheio das sub-primes  do boom imobiliário norte-americano?

A banca brasileira –e seus porta-interesses na mídia e na política-- considera que a intervenção disciplinadora do Estado nos mercados  compromete a eficiência e corrói a estabilidade do sistema.

Prefere Dilma fora e a lubrificação do país por gente do ramo.

A Depressão norte-americana de 1929 esfarelou a indústria e despejou metade da mão de obra na rua.

Seis anos após o colapso de 2008 da ordem neoliberal, a OIT informa que existe um estoque de  202 milhões de desempregados no mundo  (62 milhões adicionados pela crise); 839 milhões de trabalhadores vivem com menos de US$ 2/dia e 48% do emprego atual é precário.

Vai piorar: espera-se um acréscimo  de mais 13 milhões de demitidos à legião disponível até 2018.
 
O Brasil  criou cerca de 14 milhões de empregos desde o início da crise mundial  (sendo 1,1 milhão no ano passado, saldo carimbado como um fracasso pelo jornalismo isento).

 Os bancos preferem o modelo de  estabilidade espanhol: 26% de taxa de desemprego.

Jornais, a exemplo da Folha, já cogitaram seriamente Ruanda (45% de taxa de pobreza) como referência de país ‘top reformer’ –um  dos mais receptivos  a mudanças amigáveis ao ambiente dos negócios. 

A saúde dos mercados e a deriva da sociedade, como se vê,  não soam contraditórias  a certa concepção de estabilidade.

Antes, exprimem uma  tendência mais geral de um capitalismo que deixado à própria sorte, mais que nunca vai operar em condições de baixa demanda efetiva, elevado desemprego e especulação solta na esfera financeira.

Ademais dos candidatos sabidos, a disputa de outubro coloca em confronto essas duas concepções de governo: a visível e a invisível.


por Saul Leblon

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditorial%2FO-governo-invisivel-nao-quer-Dilma%2F30062

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

V CONFERENCIA INTERNACIONAL "MUJER, GÉNERO Y DERECHO" EN HAVANA - CUBA

V CONFERENCIA INTERNACIONAL "MUJER, GÉNERO Y DERECHO"

CONVOCATORIA INTERNACIONAL
V CONFERENCIA INTERNACIONAL "MUJER, GÉNERO Y DERECHO"

Hotel Nacional de Cuba - 7 al 9 de mayo de 2014



CONVOCAN: La Unión Nacional de Juristas de Cuba y la Federación de Mujeres Cubanas

TEMA CENTRAL: Una mirada jurídica y social a los avances y desafíos en la aplicación de los Objetivos de Desarrollo del Milenio para las mujeres y las niñas.

AUSPICIADORES  Nacionales Centro de Estudios de la Mujer de la FMC Centro Nacional de Educación Sexual Facultad de Derecho de la Universidad de La Habana Internacionales Asociación Americana de Juristas Oficina Regional de la FDIM ALAL OXFAM PNUD COSUDE UNFPA

TRANSPORTISTA OFICIAL DEL EVENTO: COPA AIRLINES
Nuestro evento cuenta con la línea aérea de referencia como transportista oficial dándole beneficios de un 10 % de descuento en su viaje para usted y acompañantes, siempre que se presenten directamente en las oficinas de Copa con el comprobante correspondiente. El descuento indicado será aplicado en la compra de su pasaje aéreo sobre la tarifa publicada disponible en el momento de la compra.

EJES TEMÁTICOS.

Avances y desafíos en:

· El cumplimiento del derecho internacional de los derechos humanos y la cedaw.
· El Derecho Constitucional y La vida política y Pública de las mujeres. El rol de los parlamentos.
· el Derecho de familia.
· el Derecho penal.
· el Derecho laboral y de seguridad social.
· los derechos sexuales y reproductivos
· la prevención y atención de la violencia de género e intrafamiliar
· el derecho de las mujeres y las niñas que viven en zonas rurales.
· el derecho de las mujeres y las niñas que viven con discapacidad
· la participación de los hombres en la lucha por la igualdad
· la eliminación de la pobreza, la promoción del desarrollo sostenible y la paz

La Conferencia y el Taller están abiertos a profesionales y estudiantes de Derecho y de otras ciencias sociales a quienes desde su esfera de actuación interesen las categorías conceptuales Género y Derecho.

Sobre la presentación de trabajos

Las personas interesadas podrán presentar ponencias o comunicaciones individuales que sean el resultado de estudios teóricos, de investigaciones realizadas o de la práctica profesional. Las organizadoras de la Conferencia agradecen a los(as) ponentes la cesión gratuita del derecho a publicar las ponencias e intervenciones. En caso de estar de acuerdo con esta solicitud deberán referirlo expresamente. La presentación de ponencias y comunicaciones, deberán ser enviadas hasta el 10 de abril de 2014 por los correos electrónicos:mujergeneroyderecho@yahoo.es , yamila@lex.uh.cu

INSTRUCCIONES DE TIPO FORMAL:

1. Los trabajos deben ser redactados con procesador de texto Microsoft Word. Se utiliza interlineado sencillo, sin introducir sangría. Los párrafos deben estar separados entre sí por un espacio, utilizando como fuente Arial 12 para el texto y Time New Roman 10 para las notas a pie de página.
2. Los artículos enviados deben expresar además del título, los datos identificativos de los(as) autores(as), el centro en que se desempeña profesionalmente, la actividad que realiza, dirección electrónica, categoría científica y docente, sociedades científicas a las que pertenece y otros datos que considere de interés.
3. Los artículos deben contener las palabras claves, un breve resumen de no más de 200 palabras y un sumario o índice.
4. La extensión máxima es de 25 páginas.
5. Las citas bibliográficas deben incluirse a pie de página y
cumplimentar los requerimientos que en el orden formal se exigen para
las publicaciones seriadas. No se dedica un espacio final a la
bibliografía.

Por ejemplo:

- GRILLO LONGORIA, Rafael, Derecho Procesal Civil, Tomo I, Teoría General del Proceso, 3era edición, Editorial Félix Varela, La Habana, 2005, p. 192.

- HERNÁNDEZ CARTAYA, Enrique, "Estudio del Régimen Parlamentario en la Doctrina Política y en sus relaciones con la Constitución de Cuba y la Política", en Revista de Derecho, Año II, Nos. 9 y 10, Septiembre-Octubre de 1909, Imprenta "Cuba y América", La Habana, pp. 268 y ss.

- MORON URBINA, Juan Carlos, "Redescubriendo una institución escondida: el rescate de las concesiones", en AA.VV., El Derecho Administrativo y la modernización del Estado peruano, Ponencias presentadas en el Tercer Congreso Nacional de Derecho Administrativo (Lima, 2008), Organizado por Pontificia Universidad Católica del Perú, Asociación Peruana de Derecho Administrativo, Editora Jurídica Grijley E.I.R.L, Lima, 2008, pp. 100 y ss.

Deben indicar: quién o quiénes van a realizar la presentación; tipo de presentación y breve resumen del curriculum vitae del (la ponente, para su presentación en la sesión; así como los medios audiovisuales que requiere para la presentación.

El Comité Académico seleccionará los trabajos que se expondrán en el evento, dará a conocer a los(as) participantes los trabajos escogidos a través del correo electrónico y programará su presentación. Las modalidades de trabajo previstas son Conferencias Magistrales de reconocidas personalidades nacionales e internacionales y talleres de debate y discusión.

Cuota de Inscripción
Delegados(as)-180.00 CUC Conferencistas y ponentes- 140.00 CUC
Estudiantes de pregrado, previa presentación del documento acreditativo- 90.00 CUC.
Incluye: Participación en todas las sesiones de la Conferencia, brindis de bienvenida y de despedida, coffee breaks y certificado acreditativo de asistencia.
Acompañantes: 60.00 CUC
Incluye: Asistencia a todas las actividades incluidas en el programa de la Conferencia, al coctel de bienvenida y de despedida.

El pago se efectuará en efectivo, en pesos convertibles cubanos (CUC), en el momento de la acreditación. Un peso convertible cubano (CUC) es equivalente a 1.00 dólares estadounidense cuando se realiza la operación por transferencia bancaria o tarjeta de crédito, o de débito no vinculada a bancos de Estados Unidos, como Visa, o se utiliza una moneda en efectivo que no sea el dólar estadounidense. Los dólares estadounidenses en efectivo tienen en el país un gravamen adicional del 10% al cambiarse por pesos convertibles cubanos (CUC). Por un USD en efectivo, en las casas de cambio, se reciben 0.87 CUC (el 10% del gravamen, más el margen comercial que se aplica en el país a las operaciones bancarias), por lo que se recomienda utilizar preferiblemente efectivo, en euros, libras esterlinas, dólares canadienses, francos suizos, pesos mexicanos o yen japonés. Para mayor información ver:

Solicitudes de Inscripción

Las solicitudes de participación se recibirán por escrito en la Sede Nacional, mediante fax, correo electrónico, teléfono u otra vía, hasta el 2 de mayo de 2014.

PARA MAYOR INFORMACIÓN CONTACTAR A
Ms C. Yamila González Ferrer - Coordinadora
Calle 21 No. 552, esq. a D, Vedado, Plaza,
La Habana Código Postal 10400
Tel: (537) 832-9680//832-6209/832-7562
Fax: (537) 833-3382.
E. mail: mujergeneroyderecho@yahoo.es ,
mujergeneroyderecho@gmail.com, yamila@lex.uh.cu

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

GUERRA IDEOLÓGICA

Aberta a temporada de caça eleitoral, somos alvejados na “grande” imprensa brasileira por diversas escaramuças sem direito de defesa igual e contrária, isto é, se um scholar neoliberal é entrevistado, atacando o “velho desenvolvimentismo”, não se encontra a correspondente entrevista de um scholar social-desenvolvimentista retrucando suas ideias. No máximo, entrevistam porta-vozes oficiais sem a mesma liberdade político-ideológica para oferecer a oposição às ideias neoliberais.
As últimas diatribes foram desferidas pelo ex-professor da FGV-RJ, ex-diretor do Unibanco-Itaú, vice-presidente do Insper e… ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa. Sim, o infeliz esteve no primeiro mandato do Governo do Partido dos Trabalhadores como secretário do ministro Antônio Palocci. Na sabedoria popular, classifica-se esse tipo de gente como “quem cospe no prato que comeu…”
Cada um tem o direito de falar o que quiser, porém o que não se encontra é o direito de resposta para o (e)leitor conferir a veracidade do que se diz ou comparar os contra-argumentos. No caso da entrevista de Lisboa, seus argumentos vão contra a lógica e as evidências empíricas. Senão, vejamos.
Desde logo, a manchete é escandalosa – e falsa. “Repaginado, o velho desenvolvimentismo”, segundo ele, “não oferece muito mais do que uma economia medíocre, que cresce 2%, 2,5% e que em um ano bom pode chegar no máximo a 3%”.
Ele teria de, primeiro, comparar essas taxas no tempo. Na era neoliberal (1980-2002), qual foi a taxa média de crescimento do PIB brasileiro nas “duas décadas perdidas”? Então, é a ideologia predominante que determina o PIB?!
Segundo, ele teria de comparar no espaço. As grandes economias do mundo Ocidental, participantes no ranking dos dez maiores PIBs, crescem em que faixa? Estão submetidas aos mesmos “limites” [2%-3%]? Sim, devido à prioridade concedida à estabilidade do Capitalismo de Mercado. Por que não crescem de maneira semelhante às grandes economias asiáticas? Em uma lista de 220 países, apenas 106 pequenos países crescem acima dessa faixa. Entre os 10 maiores, há a exceção da China (23a. taxa de crescimento com 7,7%). Rússia cresceu 3,4% (100a.) e Índia (104o.), 3,2%. Curiosamente, esses são Capitalismos de Estado…
Terceiro, ele teria de contextualizar. Quando o entrevistador do Valor lhe perguntou – “E o cenário externo não tem nada a ver com nada disso?” – a leviandade de sua resposta é espantosa! Disse que “cenário externo é o vento frio. Pode-se estar mais ou menos protegido.” Então, ele teria de demonstrar as grandes economias do Capitalismo Liberal Ocidental crescem menos do que as grandes economias do Capitalismo de Estado Oriental, com a exceção da economia japonesa, inserida no modelo liberal norte-americano deflacionista há tempos. E rastejante como as economias europeias…
Finalmente, se em vez de chutar fantasma como “o velho-desenvolvimentismo”, ele deveria sim resgatar a velha (e boa) abordagem estruturalista. Então perceberia que, se há um grupo de países que sofreu menos, como Chile, Peru, Colômbia, Nova Zelândia e Austrália, e alguns países que sofrem mais, entre os quais Brasil, Rússia, Índia, Turquia, África do Sul, algumas divergências entre estruturas produtivas-exportadoras e portes deveriam ser analisadas, não?
Com essa abordagem estruturalista deixaria de falar bobagem, por exemplo, a respeito da indústria automobilística, ironizando o novo regime automotivo concedido “à única indústria infante do mundo com direito de se aposentar”. A ligeira queda nas vendas em 2013 não tira do Brasil o posto de quarto maior mercado automotivo do mundo, conquistado em 2010. Isso porque a Alemanha, que disputou essa posição com o mercado brasileiro nos últimos quatro anos, registrou baixa ainda mais expressiva nos emplacamentos. Enquanto no Brasil a demanda por carros caiu 1,5%, na Alemanha a retração no consumo chegou a 4% no ano passado. Os dois outros países que poderiam ameaçar a quarta colocação ocupada pelo mercado brasileiro – Índia e Rússia – também registraram queda nas vendas de veículos, respectivamente, -6% e -6,2% .
Com os 3,58 milhões de carros de passeio e utilitários leves emplacados em 2013, a vantagem brasileira em relação aos alemães subiu para pouco mais de 627 mil unidades, o equivalente a dois meses de venda. Os maiores mercados de veículos do mundo continuam sendo, nesta ordem, China, Estados Unidos, Japão e Brasil. Será que os neoliberais não conseguem entender o porte e a diversidade estrutural da economia brasileira?! Só focam na defesa da liberdade do mercado!
Por exemplo, falam apenas da taxa de câmbio, quando deveriam considerar a demanda externa e a capacidade de exportação brasileira. Mesmo com a moeda nacional se depreciando cerca de 15% ao longo do ano, as exportações diminuíram 1% para US$ 242,2 bilhões, e as importações subiram 6,5%, para US$ 239,6 bilhões, produzindo a queda de 86,7% do superávit: US$ 2,6 bilhões de 2013 , em comparação com os US$ 19,4 bilhões de 2012.
O balanço comercial teve forte influência da conta de petróleo. Do lado das importações, as compras de combustíveis e lubrificantes cresceram 15%, para US$ 40,5 bilhões. Houve o registro atrasado de importações feitas em 2012 de US$ 4,6 bilhões, só contabilizadas no primeiro semestre do ano passado. Do lado das exportações, a queda na produção doméstica de combustíveis ocasionada pela parada para manutenção de algumas plantas diminuiu as exportações do segmento em 31%, para US$ 12,9 bilhões. Foram as exportações contábeis de plataformas de petróleo que garantiram o saldo positivo de 2013, somando US$ 7,7 bilhões no ano, acima do US$ 1,5 bilhão de 2012.
Isso só foi uma amostra negativa da importância (positiva) que terá a Economia do Petróleo na próxima década para a economia brasileira. Ao contrário do que percebe a visão ideológica neoliberal, o novo governo social-desenvolvimentista, diferentemente do “velho desenvolvimentismo”, promoveu a inclusão ao mercado interno milhares de consumidores via mobilidade social propiciada por políticas públicas e, agora, está promovendo os investimentos em infraestrutura energética e logística com longo prazo de maturação, mas que levarão a economia se tornar a quinta maior do mundo.
Autor: Fernando Nogueira da Costa é  Professor Livre-docente do IE-UNICAMP. Autor do livro “Brasil dos Bancos” (Edusp, 2012). http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/  E-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MINISTRA CARMEN LÚCIA TEM A OPORTUNIDADE DE ENTRAR PARA A HISTÓRIA COMO AQUELA QUE NÃO SE DOBRA AO MACHISMO

A Ministra Carmen Lúcia tem uma ótima oportunidade de mostrar que representa as mulheres que lutam e tem sede de justiça. 
Ela tem a chance de mostrar que não se dobra aos magistrados machistas que lotam o judiciário e assim querem se impor sobre as mulheres, não deixando margens para as magistradas mostrarem seu valor.
Não basta ter poder e não ser dona de suas próprias decisões, tem que se empoderar tomando para si a responsabilidade de ser uma magistrada com M maiúsculo.
Ela tem duas opções: se acovardar e fazer exatamente o que o Presidente do Supremo mandou ou, entrar para a história como aquela que não se dobra perante a mídia comercial ou a opinião pública. Entrar para história como aquela que cumpre suas funções respeitando o colegiado e não somente recebendo ordens daquele que disse em entrevista usada como propaganda da Globo News de que acima do Supremo não há nada, quer dizer, acima dele também não.
Se Carmen Lúcia se portar como carrasca, com medo, não representa as mulheres e muito menos as mulheres juristas do mundo.
No tocante a mais uma prisão arbitrária, agora contra João Paulo Cunha, eis que todos os embargos infringentes foram levados à plenário, menos o dele. Se ela levar isso à frente estará descumprindo a Constituição da qual é guardiã e também todas as convenções internacionais do qual o Brasil é signatário.
Esse processo é nulo de pleno direito, eis que foram revogados artigos constitucionais para que essa farsa fosse adiante. E todas nós que militamos na área do direito sabemos que quando ocorre essa nulidade, a qualquer tempo, esta pode ser reconhecida de ofício, não dependendo de qualquer outro ato.
Ela poderia, mas, certamente não o fará, anular todo o processo para que se cumpra a legislação vigente no país.
O magistrado em tese deveria cumprir as leis e os que estão no STF zelar pela constituição.
Mas aqui no Brasil é assim: o indivíduo pode praticar a abuso de menor, ser assaltante, sequestrador, traficante de pessoas ou drogas, fazer comércio com órgãos de pessoas ainda vivas, escravizar pessoas para fins de trabalho ou sexo, enfim pode praticar os crimes mais hediondos mas se for inscrito em algum partido de direita, como o PSDB, o DEM e o PPS o criminoso NUNCA SERÁ DENUNCIADO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO E, PORTANTO JAMAIS SERÁ LEVADO A JULGAMENTO E, É CLARO, NÃO SERÁ NUNCA CONDENADO NEM PRESO. É assim que as coisas estão sendo feitas aqui no Brasil. Enquanto o país progride rapidamente em todos os setores, tem que aguentar a ditadura das duas instituições públicas mais atrasadas do Brasil: o ministério público e o judiciário, com pouquíssimas exceções. São os organismos públicos que mais infringem as leis do país.
Mostra ao país Ministra Carmen Lucia, que você é diferente e que seu lugar na história será aquela que fez justiça, pois, a pior injustiça é aquela feita pela própria justiça.

RIGOBERTA MENCHU: DE CAMPESINA INDÍGENA A PREMIO NOBEL DA PAZ



Rigoberta Menchú, nasceu em 9 de janeiro de 1959 em Chimel, Ustapan, Guatemala. 
Militantes dos direitos humanos na Guatemala, Rigoberta nasceu em uma numerosa família campesina da etnia indígena maya-quiché. Sua infância e juventude foram marcadas pelo sofrimento da pobreza, da discriminação racial e a violenta repressão com que as classes dominantes guatemaltecas tratavam de conter as aspirações de justiça social do campesinado. 
Vários membros de sua família, inclusive sua mãe, foram torturados e assassinados pelos militares ou pela polícia paralela dos "esquadrões da morte", seu pai morreu com um grupo de campesinos que se alojaram na Embaixada da Espanha em um ato de protesto, quando a polícia incendiou o local queimando vivos os que estavam lá dentro (1980).
Enquanto seus irmãos optaram por se juntar à luta armada, Rigoberta iniciou uma campanha pacífica de denúncia ao regime guatemalteco e da sistemática violação dos direitos humanos de que eram objeto dos os campesinos indígenas, sem outra ideologia que o cristianismo revolucionário da "Teologia da Libertação"; ela mesma personificava o sofrimento de seu povo com notável dignidade e inteligência, acrescentando a dimensão de denunciar a situação mulher indígena na América Latina.

Para escapar da repressão, se exilou no México, onde publicou sua autobiografia em 1983; percorreu o mundo com sua mensagem e conseguiu ser escutada nas Nações Unidas. Em 1998 regressou à Guatemala, protegida por seu prestígio internacional para continuar denunciando as injustiças.
Em 1992 o trabalho de Rigoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz.

Nota da blogueira: Certa feita, conheci um tenente da PMES, Orlando Nascimento, hoje coronel da reserva, que foi na missão da ONU para proteger a vida de Rigoberta, onde ficou por dois anos. Esse me relatou que eles, acompanhando-a, (mesmo depois de ganhar o prêmio necessitava de segurança internacional) em suas visitas às comunidades indígenas mais remotas da Guatemala, ela continuava a ouvir as vozes dos excluídos e denunciando as violações dos direitos humanos e que Rigoberta mudou sua vida para sempre. Que ele se tornou outra pessoa depois dessa convivência de dois anos.


Dica da matéria Joilce Gomes Santana, Membro Individual da Fédération Internationale des Femmes des Carrières Juridiques (FIFCJ).




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

STEPHEN KING: TENHO VERGONHA DE SER NORTE-AMERICANO


Stephen King escreveu cerca de 50 romances e vendeu mais de 300 milhões de exemplares. O autor de Carrie, a estranha (1973) e O Iluminado (1979) -- o livro que Stanley Kubrick e Jack Nicholson converteram num filme memorável -- é certamente o escritor vivo mais popular do mundo. Símbolo e metáfora da cultura pop norte-americana e encarnação democrata do sonho americano, King é, entretanto, um cara absolutamente humilde, um histriônico terno e simpático que tende a minimizar seu talento de escritor e que tira sarro de si mesmo sem parar, num exercício que às vezes parece saudável e outras parece beirar o masoquismo.
Acaba de passar por Paris pela terceira vez na vida para promover seu último romance, Doctor Sleep (previsto para sair no Brasil pela editora Suma de Letras), que é uma espécie de continuação ou pedaço separado de O Iluminado. Hospedado no luxuoso Hotel Bristol, ele passeou pela cidade, deu uma entrevista coletiva massiva, fez milhares de leitores rirem no imenso teatro Rex, onde acabava de tocar Bob Dylan, e não parou de autografar livros e de fazer amigos contando anedotas e rindo de sua própria sombra. O autor de Angústia (Misery,1987) contou que levava 35 anos se perguntando o que teria acontecido com o protagonista de Doctor Sleep, nada menos que Danny Torrance, o menino que lia os pensamentos alheios e que sobrevivia a duras penas aos ataques violentos de seu pai alcoólatra e abusador, Jack Torrence, naquele hotel triste, solitário e fim de linha onde transcorria O Iluminado.
Danny tem agora quase 40 anos, bebe como o pai, frequenta as sessões dos Alcoólicos Anônimos e cuida de anciãos que estão à beira da morte. Daí o título do romance que é um compêndio do potente universo de King: há vampiros que comem crianças para se alimentar, gente com poderes paranormais, tiroteios, rituais satânicos e sessões de telepatia intensiva. Não se passa um medo mortal como em O Iluminado, mas é um romance de ação muito legível.
Num excelente artigo publicado em The New Yorker, Jushua Rothman explicou que King é o principal canal por onde fluem todos os subgêneros da metade do século XX: ficção científica, terror, fantasia, ficção histórica, livros de super-heróis, fábulas pós-apocalípticas, faroeste, que logo ele transfere a seu pequeno reduto de Maine, o remoto Estado do nordeste dos EUA onde vive, povoado por 1,2 milhão de pessoas.
A prova da sua influência na cultura norte-americana são o cinema e a televisão, que continuam disputando suas histórias. Embora aos 65 anos continue insistindo em que o que escreve não vale grande coisa, quatro décadas de ofício e uma legião de leitores no mundo todo acabaram convencendo uma parte da crítica e alguns companheiros de profissão de que a sua literatura, pensada para entreter a América rural pobre, tem mais interesse, sentido e qualidade do que ele mesmo crê.
Em 2003, King ganhou a Medalha da Fundação Nacional do Livro por sua contribuição às letras americanas, um ano depois de Philip Roth tê-la ganho. Naquele dia, o escritor Walter Mosley destacou "seu entendimento quase instintivo dos medos que formam a psique da classe trabalhadora norte-americana". E acrescentou: "Ele conhece o medo, e não só o medo das forças diabólicas, como o medo da solidão e da pobreza, da fome e do desconhecido.
Mas, acima de tudo, King é uma grande figura. Filho de mãe solteira e pobre, mede quase dois metros, é desajeitado e muito magro, tem uma cara enorme, fala pelos cotovelos, não para de dizer palavrões, tomou toneladas de "cerveja, cocaína e xarope para a tosse", toca guitarra numa banca de rock de amigos, tem uma mulher católica "cheia de irmãos", três filhos, quatro netos, uma conta cheia de zeros, pediu ao governo que lhe cobre mais impostos do que os que paga, adora Obama, odeia o Tea Party, faz campanha contra as armas de fogo e, como entrevistado, é uma mina de ouro: raras vezes se esquece de dar alguma manchete como resposta.
Então o senhor não gosta de vir para a Europa?
Vim uma vez a Paris com minha mulher em 1991, e outra a Veneza e a Viena, em 1998, com o meu filho; dessa vez passamos uma noite em Paris, mas fomos ver um filme de David Cronenberg. Na Europa, passo vergonha: não falo outra língua que não seja inglês, e não gosto de ir dando uma de celebridade. Prefiro a discrição. Eu vivo em Maine, uma cidade pequena onde sou só um a mais. Quando venho a Paris sou a novidade, ninguém nunca me viu, lá eles me veem desde sempre, não ligam, sou o vizinho.
E por que tende a se subvalorizar?
O contrário disso seria me chamar O Grande, que seria a mesma coisa que me chamar de O Grande Babaca. Não quero ser isso. Quero ser tratado como uma pessoa normal. Os escritores temos que olhar a sociedade, não o contrário. Se os meus editores me dizem para vir a Paris é porque querem vender livros. Nas feiras dos EUA trabalham moças como chamariz: se colocam nas portas dos locais de strip-tease e mexem um pouco a bunda para atrair os clientes. Aqui sou eu que mexo a bunda. Em casa, estou no meu lugar, na cadeira certa, escrevendo. É lá onde devo estar.
O que sente ao ter vendido 300 milhões de livros?
O importante é saber que o jantar está pago, o número de cópias que você vende dá na mesma, desde que sejam suficientes para continuar escrevendo. Adoro esse trabalho.
Não sente orgulho?
Não sei se é orgulho, mas me faz feliz saber que o meu trabalho conecta com as pessoas. Cresci para contar histórias e entreter. Nesse sentido, acho que fui um sucesso. Mas no dia a dia é minha mulher dizendo: "Steve, desça o lixo e ligue a máquina de lavar louça".
Sente-se maltratado pela crítica?
No começo da minha carreira vendia tantos livros que os críticos diziam: "Se isso agrada a tanta gente, não pode ser bom". Mas comecei jovem e consegui sobreviver a quase todos eles. Muitos críticos sabem que levo anos tentando demonstrar que sou um escritor popular, mas sério. Às vezes é verdade que o que vende muito é muito ruim, por exemplo, 50 tons de cinza é um lixo, pornografia para mamães. Mas A sombra do vento, de Ruiz Zafón, é bom, e Umberto Eco foi muito popular e é estupendo. A popularidade nem sempre significa que uma coisa é ruim. Quando leio uma crítica muito negativa, fico quieto para que o crítico não saiba que estou choramingando. Mas eu sempre as leio porque quero aprender, e quando uma crítica está bem feita, te ajuda a saber o que você fez mal. Se todos dizem que uma coisa não funciona, você pode acreditar neles. Em todo caso, a melhor réplica a uma crítica foi feita por um músico do século XIX cuja ópera foi demolida por eles. Ele escreveu uma carta ao crítico dizendo: "Estou no menor cômodo da minha casa. Tenho a sua crítica na frente e muito em breve a terei por trás."
Quando decidiu ser escritor?
Sabia o que faria aos doze anos. Escrever nunca foi um trabalho. Levo 54 anos fazendo isso e ainda não posso acreditar que continuem me pagando. De fato, não posso acreditar que nos paguem a nós dois por estar fazendo isso!
Eu tampouco. É verdade que teve uma infância um pouco "Oliver Twist"?
Nem tanto. Meu pai foi embora de casa quando eu tinha dois anos e a minha mãe trabalhou muito duro para criar a mim e ao meu irmão. O que mais lamento é que ela tenha morrido de câncer antes de eu fazer sucesso. Eu teria gostado de tratá-la como uma rainha! Meu primeiro romance, Carrie, a estranha foi publicado em abril de 1974 e ela morreu em fevereiro. Ao menos recebi o adiantamento e isso serviu para cuidar bem dela. Ela chegou a lê-lo e lhe agradou, disse que era maravilhoso e que teria faria muito sucesso.
Herdou dela a imaginação?
Não, o senso de humor. A fantasia e a escrita, herdei do meu pai. Ele costumava mandar relatos às revistas ilustradas nos anos trinta e quarenta, embora nunca os tenham publicado. Adorava a fantasia, a ficção científica, as histórias de terror. De pequeno, encontrei em casa uma caixa cheia de livros de Lovecraft, de Clark Ashton Smith; foi como uma mensagem sua cheia de coisas boas.
Como é a sua relação com o dinheiro?
Nunca aprendi a ser rico, não dão aulas disso e não cresci com dinheiro. Quando pequeno costumava pedir 25 centavos para ir ao cinema ou trabalhar colhendo batatas. Nunca pensei que teria muito dinheiro. Minha mãe passou seus últimos dez anos cuidando dos seus pais e em casa nunca houve liquidez. Nesses casos, se, de repente, você põe a mão numa fortuna, pode se tornar vulgar e comprar um enorme Cadillac, paletós de três peças feitos sob medida e sapatos caros. Mas eu cresci numa comunidade ianque onde a ostentação não é bem vista. Depois me casei com uma mulher muito apegada à terra que teria rido muito se eu tivesse voltado para casa com um casaco de pelo de camelo. Ela teria dito: "Quem você acha que é? Mohamed Ali?". Apesar de que eu me venderia como uma puta por sapatos ou por carros, só tenho um carro elétrico. Vivemos modestamente e damos dinheiro às livrarias das cidades pequenas, à Unicef, à Cruz Vermelha. Seguimos o lema de J.P.Morgan: o homem que morre milionário morre fracassado. O dinheiro serve para pagar as contas, fazer teu trabalho, ajudar à minha família e ao meu sogro.
Ou seja, você é um self-made man com consciência social,que pede para pagar mais impostos do que os que já paga.
Todo mundo deveria pagar impostos de acordo com sua renda. Eu gosto de pagá-los só para boas causas, e não para custear guerras no Iraque, que foi a mais estúpida do mundo. Nesse sentido, encarno o sonho americano, embora sem Cadillac.
Também faz campanhas contra a venda livre de armas. Uma causa perdida?
O problema não são as espingardas de caça. 70% dos EUA é rural, e não vejo problema em que as pessoas cacem cervos e os comam. Ter revólveres em casa também não me parece ruim, eu mesmo tenho um, descarregado e longe do alcance das crianças. O grande problema, o que me deixa fora de mim, são as armas semiautomáticas. Dão 40, 60 ou 80 tiros seguidos, como a que se usou na matança de Connecticut. É vergonhoso que se vendam, mas o lobby da Associação Nacional do Rifle trabalha para os fabricantes de armas e se baseia na fantasia de que os EUA são como há 50 ou 60 anos. Dizem que as mortes de crianças são o preço a se pagar pela segurança. A cultura pistoleira forma parte da cultura americana, mas odeio isso, me dá nojo. Depois perguntam por que nunca venho à França ou à Alemanha: porque são civilizados e eu sinto vergonha de ser norte-americano. Amo o meu país, mas ele está cheio de lixo.
Quem ganhará a guerra entre Obama e o Tea Party?
Os do Tea Party são uns idiotas e uns racistas que atacam Obama basicamente porque tem a pele escura. Quando Bush arruinou o mundo inteiro em 2008 com suas ideias ultraliberais, não disseram nada. Agora esse alienígena cresceu dentro do Partido Republicano e não vai parar até destruí-lo, o que não me parece ruim. Sua única ideia é paralisar o governo, sem se dar conta de que a situação econômica está muito melhor do que com Bush. São como uma obstrução intestinal. Espero que em 2014 os americanos decidam dar esses 30 assentos a 30 democratas. Tudo melhorará. Em todo caso, se estão incomodados com Obama, pior vão ficar em alguns anos: o próximo presidente usará saias.
Falemos de Danny Torrance, o menino de O Iluminado, que agora volta com Doctor Sleep.
No fim de O Iluminado, em 1977, Danny tinha quatro ou cinco anos, porque escrevi o romance em 1976, durante o bicentenário, quando Ford era presidente. No início do Doctor Sleep ele tem oito anos. Durante 33 anos, esse menino esteve na minha cabeça. Eu me perguntava o que teria acontecido com ele, se continuaria ou não mantendo esse talento, a iluminação de ler os pensamentos das pessoas. Cresceu numa família terrível. Sua mãe, muito ferida, sobreviveu por milagre à surra da mesa da sala de jantar, e o pai, Jack, era alcoólico, como eu... Sabia que Danny devia continuar com raiva do mundo, porque seu pai era um canalha que abusava deles. A raiva é o centro do livro, entre Jack e Danny há uma geração marcada pela raiva.
O senhor bebia muito na época?
Quando escrevi o livro, muitíssimo. Sabe como é, os escritores temos que falar daquilo que conhecemos.
O que bebia?
Bebia muita cerveja. Isso não é tão forte... Mas é que eu tomava uma caixa por dia, 24 ou 25 latas...
Com outras substâncias?
Não nesse momento. Depois sim, tomei tudo o que se possa imaginar. Cocaína, Valium, Xanax, água sanitária, xarope para tosse... Digamos que eu era um multitoxicômano. O ruim é que na época não havia programas de ajuda, e fiz de Jack um alcoólico pior do que eu. Ele tentava curar a dependência da maneira mais dura e era pior. Agora tentei equilibrar isso em Doctor Sleep pensando no que teria acontecido se Jack tivesse tido ajuda. Então meti Danny nos Alcoólicos Anônimos.
Aquele romance fez com que o rotulassem como um narrador de histórias de terror. Isso o incomodou?
As pessoas, sobretudo os críticos e os editores, adoram os rótulos, gostam de meter os autores em jaulas, colocá-los numa pasta. Para os editores é como vender comida: esse escritor lhes dará vagem; esse, terror; esse, chocolate. Não acho isso ruim. Quando Carrie, a estranhafoi publicado, já tinha outros dois romances escritos, e perguntei ao editor em Nova York qual preferia, um mais literário, de um sequestro, ou outro de terror, Salem. E ele me disse: "O segundo será um best seller, mas se lançamos o de terror, vão te rotular". E eu lhe disse: "Se pagar a conta do supermercado, eu estou pouco me lixando. A minha mulher me chama de querido; meus filhos de pai; meus netos de vovozinho, e eu me chamo Steve. Pouco me importa como me chamem os demais".
Pensou em que lugar da literatura norte-americana ficará Stephen King?
É difícil de saber. Não sei se há vida depois, embora não creia nisso. Mas se ficasse algo semelhante à consciência, a última coisa com que eu me preocuparia seria em saber se a próxima geração me lê ou não. Dito isso, quando os escritores morrem, ou seus livros continuam sendo publicados ou desaparecem. A maioria desaparece. Ficam só alguns e esses são os importantes: Faulkner, Hemingway, Scott Fitzgerald, esquecido quando morreu e resgatado mais tarde.
Em espanhol, Cervantes, García Márquez, Roberto Bolaño, esses ficarão. Bolaño sabia tomar drogas e beber. Mas também acontece de ficarem as pessoas mais estranhas: de Stanley Gardner, o autor de Perry Mason, ficou muito pouco; mas não ficou nada de John D. McDonald, que era estupendo. E simplesmente nada de John M.Cain, mas sim de Jim Thompson. E, mais estranho ainda, permanece Agatha Christie... Ou seja, a gente nunca sabe quem vai perdurar. Acho que os escritores de fantasia têm mais chance de permanecer. E acho que, dos meus livros, resistirão Salem (Salems' lot), O IluminadoA Coisa e talvezA dança da morte . Mas não Carrie, a estranha. E talvez tambémAngústia. Esses são os imprescindíveis para quem os leu, mas não tenho nenhuma certeza de que as pessoas continuem pensando no meu trabalho quando eu morrer. Quem sabe. Somerset Maugham foi muito popular no seu tempo. Agora ninguém o lê. Escreveu grandes romances. Alguém lhe perguntou por seu legado e disse: "Estarei na primeira fila do segundo time". Dirão isso de mim.
Viu como prefere militar na segunda divisão?
Quando você está dentro do negócio, sabe bem qual é o teu nível de talento. Quando você lê um escritor bom, pensa: "Se eu pudesse escrever assim", você nota muito a diferença entre o que você faz e o que escreve gente como Philip Roth, Cormac McCarthy, Jonathan Franzen ou Anne Tyler. Há muitos muito bons.
O senhor continua lendo muito?
Tanto quanto posso, diariamente, embora assista muita televisão. E escrevo todos os dias, acabo de escrever uma coisa sobre Kennedy para The New York Times. Esse ofício é uma paixão. Mais que viver dele, gosto de praticá-lo. Preferiria estar escrevendo agora em vez de estar aqui.
Já acabamos.
Não, você é um cara ótimo, é que as ideias me vêm sem querer. Esta manhã estávamos no carro, paramos ao lado de um ônibus onde havia uma mulher sentada e eu pensei: "E se agora subisse um cara e lhe cortasse o pescoço? Será um conto curto, embora isso nunca se saiba;Carrie, a estranha ia ser um relato também e acabou virando um romance. O importante é essa pergunta: "o que aconteceria se...? Esse é o melhor motor das minhas histórias.
E depois acabam no cinema ou na televisão.
Sim, muita gente vai ao cinema no mundo e isso ajuda a te fazer popular. Mas no fim dá tudo na mesma, porque um dia você se encontra com gente pela rua que te reconhece e te diz: "Você é Stephen King? Cara, eu adoro os teus filmes". Outro dia, num supermercado da Flórida, uma mulher me parou e brigou comigo porque escrevo coisas aterrorizantes. Ela disse: "Prefiro The Shawshank Redemption (conto que inspirou o filme Um sonho de liberdade). E eu: "Fui eu que escrevi ". E ela: "Não é verdade, de jeito nenhum". E se foi.
O livro eletrônico lhe ajudou a vender maisO que acha da Amazon?
Amazon e o livro eletrônico são fantásticos para os escritores. Se antes um editor dizia não, era não. Agora, você pode editar seu livro e vendê-lo. Para os que estamos nisso há tempos, é um mercado a mais. Antes havia capa dura, capa mole e áudio. Agora há também livros digitais, que são maravilhosos. Tudo isso é formidável para os fornecedores do material, que somos nós: sempre vão continuar precisando de histórias. É um problema para os editores, que sempre foram os guardiões da qualidade, mas muitos descobrem novos talentos na rede. E para os leitores é ambivalente: sem livrarias, 90% do que inunda a Amazon é lixo. Como 50 tons de cinza. É inacreditável vender isso como ficção!