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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Quantos sábados o Iguatemi aguentaria fechado?


Há 57 anos uma negra chamada Rosa Parks deu um rolezinho sobre as prerrogativas dos brancos no transporte coletivo de Montgomey, nos EUA.

O Museu Henry Ford, em Detroit, nos EUA, guarda inúmeras relíquias  da história norte-americana sobre rodas.

O veículo no qual  Kennedy foi baleado  está lá.

Gigantescas locomotivas  que desbravaram a expansão ferroviária do país no século XIX ilustram em toneladas de ferro e aço  o sentido da expressão revolução metal-mecânica.

Perto delas os esqueléticos Fords-bigode que deram origem à indústria automobilística, de que Detroit foi a capital um dia, parecem moscas.

O museu abriga  também um centenário ônibus da ‎ National City Lines, de número 2857, um GM com o número  1132, que fazia a linha da Cleveland Avenue na cidade de Montgomery, no Alabama,  em  1 de dezembro de 1955.

A ocupação de um assento  naquele ônibus  mudaria  a história dos direitos civis nos EUA promovendo um salto na luta pela igualdade  entre negros e brancos no país.

O verdadeiro símbolo do episódio não é o velho GM, mas a costureira e ativista dos direitos dos negros, Rosa Park (1923-2005) que  naquela noite se recusou   a ceder o lugar a um branco.

Rosa tinha 40 quando desafiou a física do preconceito no Alabama dos anos  50, segundo a qual  brancos e negros não poderiam usufruir coletivamente do mesmo espaço, ao mesmo tempo.

Rosa Parks viveria mais 50 anos para contar e recontar esse rolezinho sobre as prerrogativas dos brancos , que transformaria  o velho GM em um centro de peregrinação política.

O último presidente a sentar-se no mesmo banco do qual ela só saiu presa  foi Barak Obama.

Em 2012 depois de alguns segundo em silencio no mesmo lugar, ele disse: ‘É preciso um gesto de coragem das pessoas comuns para mudar a história’.

Rosa Parks era uma pessoa comum até dizer basta a uma regra sagrada  da supremacia branca nos EUA.

Em pleno boom de crescimento do pós-guerra, quando  negros se integravam ao mercado de trabalho e de consumo norte-americano, eles não dispunham de espaço equivalente nem no plano político, nem nos espaços públicos, como o interior de um veículo de passageiros.

No Alabama os bancos da frente dos ônibus eram exclusivos dos brancos;  os do fundo destinavam-se  aos negros.

Detalhes evitavam o contato entre as peles de cores distintas: os negros compravam seu bilhete ingressando pela porta da frente, mas deveriam descer e embarcar pela do fundo.

À medida  em que os assentos da frente se esgotavam  os negros deveriam  ceder seu lugar a um novo passageiro branco que embarcasse no trajeto.

Rosa Parks estava fisicamente exausta  aquela noite  e há muitos anos cansada  da desigualdade que  humilhava sua gente.

Ela recusou a ordem do motorista e  não cedeu o lugar mesmo ameaçada. Sua prisão  gerou um boicote maciço dos negros de Montgomery.

Durante longos meses eles  que se recusaram a utilizar o transporte coletivo da cidade provocando atrasos nos locais de trabalho e prejuízos às empresas de transporte.

Milhões de panfletos explicativos  seriam distribuídos diariamente; de forma pacífica,  grupos de ativistas vasculhavam os pontos de ônibus da cidade para convencer  negros a aderi ao boicote.

Quase um ano depois  a lei da segregação dentro dos  ônibus foi extinta.

Neste sábado, um dos shoppings mais luxuosos de SP , o Iguatemi JK, cerrou as portas para impedir  que movimentos sociais fizessem ali um protesto contra a discriminação em relação aos pobres.

O Iguatemi foi um dos pioneiros a obter liminar na Justiça de SP autorizando  seguranças a selecionar o ingresso de clientes  para barrar a juventude dos rolezinhos - marcadamente composta de  jovens da periferia,  pretos, mestiços e pobres.

A memória dos acontecimentos de 57 anos atrás em Montgomery convida a perguntar :

 - A exemplo das transportadoras racistas do Alabama, quantos sábados o Iguatemi aguentaria de portas cerradas, cercado por manifestações pacíficas  e desidratado pela fuga de seus clientes tradicionais?


Por Saul Leblon em Carta maior!


NOTA DA BLOGUEIRA: Uma mulher negra fazendo a diferença entre deixar-se humilhar ou ousar lutar por seus direitos.
Ousou lutar e venceu ao se recusar a dar lugar para um branco no ônibus!
Arregacemos nossas mangas em busca de nossos direitos, eles nos pertencem, não temos que pedir, temos que tomá-los!!!!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

RIGOBERTA MENCHU: DE CAMPESINA INDÍGENA A PREMIO NOBEL DA PAZ



Rigoberta Menchú, nasceu em 9 de janeiro de 1959 em Chimel, Ustapan, Guatemala. 
Militantes dos direitos humanos na Guatemala, Rigoberta nasceu em uma numerosa família campesina da etnia indígena maya-quiché. Sua infância e juventude foram marcadas pelo sofrimento da pobreza, da discriminação racial e a violenta repressão com que as classes dominantes guatemaltecas tratavam de conter as aspirações de justiça social do campesinado. 
Vários membros de sua família, inclusive sua mãe, foram torturados e assassinados pelos militares ou pela polícia paralela dos "esquadrões da morte", seu pai morreu com um grupo de campesinos que se alojaram na Embaixada da Espanha em um ato de protesto, quando a polícia incendiou o local queimando vivos os que estavam lá dentro (1980).
Enquanto seus irmãos optaram por se juntar à luta armada, Rigoberta iniciou uma campanha pacífica de denúncia ao regime guatemalteco e da sistemática violação dos direitos humanos de que eram objeto dos os campesinos indígenas, sem outra ideologia que o cristianismo revolucionário da "Teologia da Libertação"; ela mesma personificava o sofrimento de seu povo com notável dignidade e inteligência, acrescentando a dimensão de denunciar a situação mulher indígena na América Latina.

Para escapar da repressão, se exilou no México, onde publicou sua autobiografia em 1983; percorreu o mundo com sua mensagem e conseguiu ser escutada nas Nações Unidas. Em 1998 regressou à Guatemala, protegida por seu prestígio internacional para continuar denunciando as injustiças.
Em 1992 o trabalho de Rigoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz.

Nota da blogueira: Certa feita, conheci um tenente da PMES, Orlando Nascimento, hoje coronel da reserva, que foi na missão da ONU para proteger a vida de Rigoberta, onde ficou por dois anos. Esse me relatou que eles, acompanhando-a, (mesmo depois de ganhar o prêmio necessitava de segurança internacional) em suas visitas às comunidades indígenas mais remotas da Guatemala, ela continuava a ouvir as vozes dos excluídos e denunciando as violações dos direitos humanos e que Rigoberta mudou sua vida para sempre. Que ele se tornou outra pessoa depois dessa convivência de dois anos.


Dica da matéria Joilce Gomes Santana, Membro Individual da Fédération Internationale des Femmes des Carrières Juridiques (FIFCJ).